Era madrugada quando os pais perceberam que algo não estava bem. O bebê, ainda tão pequeno, respirava rápido demais. O peito afundava a cada esforço, o nariz abria e fechava tentando buscar ar. Mamava pouco, chorava fraco, parecia exausto. Em poucas horas, toda a rotina daquela casa mudou. O que parecia apenas um resfriado virou internação.
Cenas como essa se repetem todos os anos nesta época. Com a chegada do outono e do inverno, aumenta a circulação do Vírus Sincicial Respiratório (VSR), principal causador da bronquiolite — uma infecção que inflama as pequenas vias aéreas dos pulmões.
Nos adultos e crianças maiores, muitas vezes ele provoca sintomas leves. Mas em bebês menores de 6 meses, especialmente prematuros ou com condições de saúde associadas, o risco é maior. As vias aéreas são pequenas, a reserva respiratória é limitada e, em alguns casos, pode ser necessário oxigênio, internação e até cuidados intensivos.
Quando um bebê adoece assim, não sofre apenas a criança. Sofre a mãe que vigia cada respiração. Sofre o pai que tenta manter a calma. Sofrem os avós, irmãos e toda uma rede que gostaria de tirar aquele desconforto no colo.
Por isso, prevenir é um gesto de amor.
Hoje contamos com estratégias importantes, como a vacinação da gestante, que ajuda a mãe a produzir anticorpos e transferi-los ao bebê ainda na barriga. Para que essa proteção seja mais eficaz ao nascer, o ideal é que a vacina seja aplicada pelo menos 14 dias antes do parto.
Também existe o Beyfortus, um anticorpo de longa ação que oferece proteção direta ao bebê durante a sazonalidade.
No SUS, têm direito à proteção os prematuros, bebês e crianças com cardiopatias congênitas e também pacientes com algumas condições específicas de maior risco, conforme critérios atualizados do Ministério da Saúde e protocolos locais.
Países como Chile, que investiram fortemente em estratégias de prevenção contra o VSR, observaram resultados relevantes, com redução de internações, menor pressão sobre hospitais pediátricos e mais segurança para os bebês durante os meses críticos.
Além disso, medidas simples continuam essenciais: lavar as mãos, evitar visitas gripadas, ambientes fechados e aglomerações nos primeiros meses.
Porque quando protegemos a respiração de um bebê, protegemos também a paz de uma família inteira.

Dra. Eliana Maekawa
Pediatra e Neonatologista
@draelianamaekawa
SUGESTÕES DE PAUTA: [email protected]

