APLV: quando alimentar um bebê se torna um desafio para toda a família

Poucas coisas são tão angustiantes para uma família quanto um bebê que chora sem parar. Choro intenso, irritabilidade, dificuldade para dormir, desconforto após as mamadas — e, junto com isso, um sentimento silencioso: impotência.

É cólica?

É fase?

Ou tem algo mais?

Em muitos casos, precisamos considerar a alergia à proteína do leite de vaca — a APLV. Relativamente comum no primeiro ano de vida, a APLV pode ser difícil de diagnosticar, pois seus sintomas se confundem com situações frequentes, como cólica ou refluxo. Mas alguns sinais de alerta chamam atenção: sangue ou muco nas fezes, dermatite perianal, vômitos frequentes, dificuldade de ganho de peso, eczema e um choro persistente que não melhora.

E é aqui que começa a jornada de muitas famílias. Porque o diagnóstico não impacta apenas o bebê — transforma toda a rotina da casa.

Se o bebê mama no peito, a mãe precisa excluir completamente leite e derivados da própria alimentação. E isso não é simples. O leite está “escondido” em muitos alimentos.

Ler rótulos vira rotina. Comer fora vira um desafio. O medo de errar acompanha cada refeição. Tudo isso em um momento de exaustão, privação de sono e insegurança.

Por isso, mais do que diagnosticar, é essencial acolher. Acolher essa mãe. Validar essa família. Explicar com clareza os próximos passos.

Nem todo bebê irritado tem APLV — e o diagnóstico deve ser criterioso, evitando restrições desnecessárias. Mas, quando bem conduzido, o tratamento transforma. Muitas famílias descrevem: “ganhamos um novo bebê”. Mais tranquilo, mais confortável.

Recentemente, a notícia de lotes de fórmula infantil recolhidos por possível contaminação trouxe ainda mais insegurança. Nesses momentos, o pediatra é a principal referência para orientar com segurança.

Cuidar de um bebê com APLV exige informação, disciplina e rede de apoio. Mas nenhuma família deve passar por isso sozinha. Porque, por trás de cada diagnóstico, existe uma família tentando fazer o seu melhor. E isso já é um excelente começo.

Dra. Eliana Maekawa

Pediatra e Neonatologista

Mãe do Matheus e da Ana Luiza


SUGESTÕES DE PAUTA: [email protected] 

- Patrocinado -

Últimas

Serviço da Prefeitura oferece acolhimento para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade

O projeto Família Acolhedora oferece ambiente familiar para crianças...

Saúde está em alerta máximo por aumento do sarampo nas Américas

Em dois meses de 2026, continente teve metade dos...

Chegada do outono: como adaptar a alimentação para acompanhar as mudanças do organismo

Recomendável é consumir mais alimentos ricos em vitaminas e...

Serviço da Prefeitura oferece acolhimento para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade

O projeto Família Acolhedora oferece ambiente familiar para crianças e adolescentes afastados judicialmente de suas famílias Atualmente, 4.380 crianças e adolescentes estão acolhidos em serviços...

Saúde está em alerta máximo por aumento do sarampo nas Américas

Em dois meses de 2026, continente teve metade dos casos de 2025 O Brasil está em alerta máximo por causa dos surtos de sarampo em...

Chegada do outono: como adaptar a alimentação para acompanhar as mudanças do organismo

Recomendável é consumir mais alimentos ricos em vitaminas e antioxidante A transição entre as estações do ano não impacta apenas o clima e a rotina...

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui