Entregadores por aplicativo cresceram 18,6% em um ano, mas custos precisam entra em uma conta que começa antes da primeira entrega
O aplicativo mostra o valor da corrida, a distância e o tempo estimado para a entrega. O que ele não mostra é quanto custa manter a moto disponível para que aquele serviço aconteça. A questão ganha peso à medida que mais brasileiros passam a trabalhar por meio das plataformas.
Para quem vive sobre duas rodas, estar disponível tem preço. Combustível é a despesa mais evidente, mas pneus, óleo, seguro, revisões e reparos também entram na conta. Há ainda uma perda menos visível: o período em que o veículo fica parado e não pode ser utilizado para gerar renda. “Quando a moto é uma ferramenta de trabalho, o tempo fora das ruas também precisa ser considerado. Uma manutenção não representa apenas o valor pago pelo serviço. Dependendo do problema, são algumas horas ou até dias sem faturar”, afirma Lino Felipe Lopes Dias, empresário e especialista em expansão e desenvolvimento de negócios.
O modelo incluía ainda seguro e moto reserva em determinadas situações. A experiência mostrou, segundo Lino, que, quando o veículo é instrumento de geração de renda, o planejamento precisa considerar não apenas sua aquisição, mas também o tempo em que permanece disponível para uso. “Existe uma diferença entre ter uma moto e ter uma moto em condições de rodar todos os dias. A manutenção deixa de ser uma despesa eventual quando a renda depende daquele veículo. Ela precisa ser prevista desde o início”, explica.
Para Lino, o crescimento do trabalho por aplicativos amplia a importância de uma questão que acontece antes mesmo de o entregador aceitar uma corrida. “O aplicativo pode trazer a demanda, mas é o trabalhador quem precisa ter condições de atendê-la. Se a moto para, não importa quantos pedidos estejam disponíveis. Para quem depende dela, manter o veículo rodando significa preservar a capacidade de gerar renda”, conclui.
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