Um terço das escolas não têm ações de educação ambiental; curso orienta professores na volta às aulas

Curso e guia gratuito são disponibilizados para professores das redes pública e privada

Após os aprendizados com a COP30, a educação climática ganha centralidade nas escolas brasileiras. Entre narrativas negacionistas, conteúdos distorcidos nas redes sociais e a ausência de referências confiáveis, professores e alunos ficam expostos a um ambiente informacional confuso, que dificulta o debate qualificado em sala de aula. Por isso, o Redes Cordiais, em parceria com a Embaixada do Reino Unido, manterá disponível na volta às aulas o curso: ”No Clima Certo: combatendo a desinformação climática nas escolas”. Professores das redes pública e privada podem acessá-lo gratuitamente na plataforma Avamec. Adicionalmente, como material de apoio, os professores podem contar com o guia No Clima Certo, que pode ser acessado aqui.

De acordo com os dados mais recentes do Censo Escolar 2024, cerca de um terço das mais de 179 mil escolas públicas e privadas no Brasil não desenvolveu nenhuma ação de educação ambiental ou sobre mudanças climáticas no último ano, o que representa aproximadamente 60 mil instituições sem atividades ligadas ao tema no currículo escolar. O levantamento mostra disparidades regionais: o Sudeste lidera com o pior desempenho, com cerca de 42% das escolas sem qualquer ação ambiental, seguido pelo Norte, com 39%, enquanto estados como Tocantins e Espírito Santo aparecem entre os que mais implementam iniciativas, mas ainda assim com cobertura insuficiente frente à emergência climática.

No curso, com uma abordagem diferenciada, os professores aprendem com especialistas de referência em clima, ciência e comunicação, um time que reuniu os principais temas estruturantes em 20 horas de conteúdo. Todo o material é oferecido de forma online e assíncrona, com videoaulas, slides e referências bibliográficas que apoiam a aplicação em sala de aula.

“A escola é um ambiente estratégico para o combate à desinformação climática. É nela que se forma o olhar crítico, a confiança na ciência e a capacidade de distinguir fatos de manipulações. A desinformação climática é hoje uma das maiores ameaças à ação ambiental. Criada para manipular, gerar medo e proteger interesses econômicos, ela se espalha nas redes sociais mais rápido que os fatos”, comenta Clara Becker, diretora executiva do Redes Cordiais.


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