“Celebrando a vida: transformando despedidas em novos começos” acontece no dia 15 de setembro
O Hospital Municipal Dr. Fernando Mauro Pires da Rocha, no Campo Limpo, na Zona Sul, promove, no dia 15 de setembro, o evento “Celebrando a vida: transformando despedidas em novos começos”, em referência à campanha Setembro Verde, que alerta para a importância da doação de órgãos.
Além de conscientizar as pessoas, o encontro é uma oportunidade para familiares que tomaram a decisão de doar órgãos de algum parente próximo para contarem suas experiências. Uma das famílias é a de Elaine Sandes Santos, que morreu no último dia 27 de julho no HM do Campo Limpo, em consequência do rompimento de um aneurisma cerebral. No mesmo dia, consultados pela equipe de psicologia, a mãe, a irmã e o filho decidiram autorizar a doação dos órgãos de Elaine.
“Ela era uma pessoa muito simples e bondosa, então eu quis fazer o bem também, salvar a vida de outras pessoas, como acredito que teria sido a vontade de minha filha”, comenta a mãe, a professora aposentada Evanil Souza Sandes Cruz, 75, que teve a palavra final na doação e diz sentir-se confortada com o gesto, apesar da dor com a perda da filha primogênita, aos 53 anos. Graças à anuência dos familiares, Elaine teve doados o fígado, os rins e as córneas.
O enfermeiro Lucas Alves de Andrade, membro da Equipe Hospitalar de Doação para Transplantes (e-DOT) do Hospital Municipal do Campo Limpo diz que a doação de órgãos um ato de generosidade. “É importante para nós agradecer por esse ato de transcendência que impacta na vida de tanta gente e que, pela nossa experiência aqui no hospital, também é uma forma positiva de lidar com o luto”.
Dependendo das condições, um único doador pode beneficiar ou mesmo salvar a vida de até 10 pessoas. Além dos aspectos técnicos e médicos envolvidos no processo de transplante de órgãos, a grande barreira no caminho do processo de doação é justamente a recusa familiar. No Brasil, ela chega a 45% dos casos notificados, ou seja, de pessoas com morte encefálica nos hospitais. O dado é da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO).
No Brasil, a doação de órgãos e tecidos está prevista na Lei nº 9.434/1997, regulamentada pelo Decreto nº 9.175/2017. Pela legislação, não há como garantir efetivamente a vontade do doador, uma vez que após a sua morte a decisão final sobre a doação cabe à sua família. Os órgãos doados vão para pacientes que necessitam de um transplante e estão aguardando em lista de espera, organizada por estado ou região, e monitorada pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT).
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