Setembro Amarelo: cuidar da saúde mental também faz parte do trabalho

A psicóloga mostra como empresas e lideranças podem prevenir, perceber, acolher e encaminhar situações de sofrimento emocional 

Setembro é tradicionalmente marcado pelo amarelo da conscientização e prevenção do suicídio. Mas, para além das campanhas realizadas neste mês, o Setembro Amarelo traz uma discussão cada vez mais necessária para o mundo corporativo: como as empresas podem reconhecer sinais de sofrimento emocional e criar ambientes de trabalho mais seguros, humanos e saudáveis?

Para a psicóloga e especialista em Recursos Humanos, Mene Vianna, a resposta passa por quatro atitudes que precisam fazer parte da cultura das organizações durante todo o ano: prevenir, perceber, acolher e encaminhar. “A proposta exige uma mudança de olhar. Em vez de esperar que um colaborador chegue ao limite para agir, empresas e lideranças precisam desenvolver uma cultura permanente de prevenção, escuta e cuidado”.

Não podemos falar em saúde mental no trabalho apenas quando existe uma crise. O cuidado começa muito antes, na maneira como a empresa organiza o trabalho, conduz suas equipes e prepara suas lideranças para perceber quando alguém precisa de ajuda.

Nesse sentido, prevenir é o primeiro passo. Por isso, as empresas precisam olhar para esses fatores de maneira contínua, avaliando a distribuição das demandas, identificando possíveis situações de sobrecarga, desenvolvendo lideranças mais preparadas e humanas, combatendo assédio e comportamentos desrespeitosos e criando canais seguros de diálogo.

Nem sempre uma pessoa que está passando por sofrimento emocional consegue dizer claramente que precisa de ajuda. Mudanças de comportamento, perda de interesse pelas atividades ou alterações significativas na interação com os colegas, podem indicar que algo não vai bem. 

Depois de perceber, é preciso acolher. E acolher não significa solucionar o problema do outro, mas criar um espaço seguro para que a pessoa possa falar sobre o que está vivendo sem medo de ser julgada, exposta ou penalizada. 

O quarto pilar é encaminhar. Empresas e gestores não substituem profissionais de saúde e, diante de situações que exigem atenção especializada, é fundamental orientar o colaborador a buscar ajuda adequada e conhecer os recursos disponíveis para esse encaminhamento.

Entre os caminhos gratuitos e públicos estão o CVV, que atende 24 horas pelo telefone 188, os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e as Unidades Básicas de Saúde. 


SUGESTÕES DE PAUTA: [email protected]

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