Sequência de acidentes com estudantes reacende alerta sobre transporte escolar clandestino e falta de inspeção veicular

Transportes fora do padrão de segurança e sem fiscalização colocam em risco a vida de crianças e jovens

Uma sequência de acidentes graves registrados ao longo de 2025 envolvendo estudantes como passageiros de veículos de transporte escolar reforça um alerta antigo com o retorno das aulas nas instituições de ensino em todo Brasil: o risco da utilização de serviços de transporte clandestinos e da circulação de veículos sem inspeção veicular adequada.

Em março, no Vale do Taquari, no Rio Grande do Sul, um ônibus que transportava estudantes e professores para uma atividade acadêmica saiu da pista e caiu em uma ribanceira, deixando sete mortos, além de diversos feridos. O acidente aconteceu após o ônibus sair da pista pelo lado esquerdo e perder os freios, caindo em uma ribanceira.

Já em julho, na BR-153, em Goiás, uma colisão envolvendo um ônibus que transportava universitários e um veículo de carga resultou em cinco mortos e vários feridos.

“Esses episódios reforçam um problema estrutural no Brasil: a ausência de controle técnico rigoroso e de fiscalização contínua no transporte de estudantes. Cada ocorrência tem suas particularidades e não permite conclusões antecipadas, mas o conjunto desses acidentes justifica o alerta”, destaca o engenheiro mecânico Daniel Bassoli, diretor executivo da FENIVE (Federação Nacional da Inspeção Veicular).

Segundo ele, é fundamental que os prestadores desse tipo de serviço cumpram as diretrizes do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) para garantir a autorização correta para circulação do veículo, o que inclui a inspeção veicular periódica, para combater o transporte irregular ou clandestino e assegurar fiscalização técnica efetiva.

De acordo com ele, falhas mecânicas graves – como desgaste excessivo de freios, pneus em más condições, problemas de suspensão, direção e até alterações estruturais – dificilmente são percebidas em verificações visuais ou informais.

O Código de Trânsito Brasileiro determina que veículos de transporte escolar passem por inspeção semestral, justamente por reconhecer o risco ampliado dessa atividade. No entanto, a FENIVE alerta que a falta de fiscalização efetiva permite a circulação de vans, kombis e ônibus fora dos padrões exigidos, inclusive em viagens rodoviárias longas, fretamentos eventuais e deslocamentos para eventos estudantis.


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