Políticas públicas integradas em diferentes áreas preparam a capital para uma nova realidade demográfica
O processo de envelhecimento da população brasileira já transforma a realidade de São Paulo. O município ultrapassou a marca de 2 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, equivalente a 17,7% do total de moradores da cidade. Segundo estudo da Prefeitura de São Paulo, elaborado com base no Censo 2022 do IBGE, o grupo de sexagenários cresceu mais de 50% em 12 anos. Projeção da Fundação Seade aponta que, em 2050, pessoas com mais de 60 anos poderão representar cerca de 30% da população local.
O envelhecimento da população também exige uma atuação integrada e contínua do poder público. Em São Paulo, a preparação para uma cidade mais longeva reúne iniciativas de diferentes áreas da administração municipal, como saúde, assistência social, mobilidade, habitação, educação, cultura, esporte e direitos humanos.
A articulação dessas políticas também conta com a participação social por meio do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa (CMI-SP), que acompanha e fortalece as ações voltadas a esse público.
Para responder a esse cenário, a gestão municipal estruturou o Vitalidade + São Paulo, programa que reúne mais de 80 iniciativas coordenadas de forma integrada por 21 secretarias municipais. A estratégia busca fortalecer políticas de envelhecimento ativo e preparar a capital para essa transformação demográfica.
Entre os destaques está a Rede de Atenção à Saúde da Pessoa Idosa (RASPI), que integra a atenção básica e os serviços especializados, com 483 Unidades Básicas de Saúde (UBSs), 14 Unidades de Referência à Saúde do Idoso (URSIs) e 70 equipes do Programa Acompanhante de Idoso (PAI).
Voltado a pessoas idosas em situação de fragilidade e vulnerabilidade social, especialmente aquelas com pouco ou nenhum suporte familiar, o PAI acompanha cerca de 8,2 mil pessoas por mês com atendimento domiciliar biopsicossocial, apoio às famílias e orientação aos cuidadores.
O impacto desse acompanhamento aparece na rotina de Dona Carolina, de 101 anos, e de seu filho José Antônio, de 75 anos, acompanhado pelo PAI e pela UBS Vila Arriete, na Zona Sul, após as sequelas de um AVC. A equipe oferece suporte para uma rotina mais segura e com mais autonomia.
Para Dona Carolina, a presença da equipe também faz parte da sua receita de longevidade: “O segredo para chegar aos 100 anos com essa disposição é comer bem, cantar, rir, receber visitas, principalmente da equipe do PAI e manter a alegria”, conta.
A estratégia reforça um modelo de atenção voltado à prevenção, ao cuidado contínuo e à manutenção da autonomia das pessoas idosas.
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