Reunião com a professora: seu coração também acelera?

Hoje estou entrando na reunião com a professora do meu filho mais velho. Coração acelerado. Um nó na garganta. Quantos gatilhos, quantos medos.

Ele está no quarto ano. Nos últimos dias, revisando a matéria com ele, vi algo que toda mãe conhece bem: um menino inteligente, curioso, cheio de perguntas sobre o mundo. Mas também vi outra coisa — a letra sem capricho, a atenção que se perde no meio da atividade, o caderno que não traduz todo o potencial que ele tem.

E então surge aquela pergunta que visita silenciosamente muitas mães: será que deixei passar alguma coisa?

No meu caso, a pergunta vem acompanhada de um peso extra. Sou pediatra. Trabalho há anos acompanhando o desenvolvimento de bebês e crianças. Avalio marcos do desenvolvimento, comportamento, aprendizagem.

E ainda assim, diante do meu próprio filho, a dúvida aparece.
Será que deixei escapar algum diagnóstico?
Será que poderia ter percebido algo antes?

A maternidade tem dessas ironias delicadas. Podemos ter toda a formação técnica do mundo, mas quando se trata dos nossos filhos, o coração fala mais alto que qualquer protocolo.

No meio dessa reflexão, outro elemento entrou em cena: um presente dado com muito amor — um tablet. Na intenção de incentivar aprendizado, curiosidade, autonomia. Mas que, como tantos recursos tecnológicos hoje, também pode se transformar em distração constante.

A tecnologia chegou à infância para ficar. Ela pode ampliar horizontes, ensinar, conectar. Mas também compete com algo essencial para o aprendizado: a capacidade de sustentar atenção, de persistir na tarefa, de lidar com o tédio produtivo que faz o cérebro amadurecer. Talvez o desafio da nossa geração de pais seja exatamente esse: aprender a equilibrar.

Entre estímulo e excesso.
Entre autonomia e limites.
Entre confiança e vigilância.

Entrando naquela reunião hoje, lembrei de algo que aprendi tanto como médica quanto como mãe: desenvolvimento não é uma linha reta.

Dra. Eliana Maekawa

Pediatra e Neonatologista

Mãe do Matheus e da Ana Luiza


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