Resíduos de saúde entram no centro das exigências sanitárias e ambientais

Clínicas, consultórios e pequenos estabelecimentos passam a enfrentar regras mais rígidas de descarte, rastreabilidade e segurança sanitária

A gestão de resíduos deixou de ser uma preocupação limitada a hospitais de grande porte e indústrias farmacêuticas. Clínicas médicas, consultórios odontológicos, laboratórios e pequenas farmácias passaram a entrar no radar de órgãos regulatórios diante do aumento das exigências relacionadas à segurança sanitária e ao descarte correto de materiais potencialmente contaminantes.

O alerta acompanha o crescimento contínuo da produção de resíduos no setor de saúde. Segundo dados da Abrema, o Brasil gera mais de 307 mil toneladas de resíduos de serviços de saúde por ano, volume que inclui materiais hospitalares, laboratoriais, farmacêuticos e perfurocortantes.

Apesar das regras existentes, especialistas afirmam que muitos pequenos estabelecimentos ainda tratam o descarte apenas como uma etapa operacional, sem compreender os impactos sanitários e ambientais envolvidos.

Para a especialista em compliance regulatório e ambiental Renata Machado Lima Donnici, o problema passa diretamente pela rotina das equipes e pela ausência de treinamento adequado. “Quando falamos em controle de resíduos, estamos falando de segurança, rastreabilidade e prevenção de acidentes. Não é apenas uma exigência documental”, afirma.

Segundo ela, falhas consideradas simples ainda acontecem com frequência dentro de ambientes de saúde. Uma das mais comuns é o hábito de recolocar tampas em agulhas após o uso, prática que aumenta o risco de acidentes e contaminação. “Muitas vezes isso acontece de forma automática. Mas dentro da área técnica é um procedimento de risco importante”, explica.

Com experiência na indústria farmacêutica e na implementação de protocolos regulatórios, Renata afirma que a profissionalização da gestão de resíduos deve ganhar ainda mais espaço nos próximos anos, especialmente entre pequenos geradores. “O setor começou a perceber que descarte correto, segurança sanitária e responsabilidade ambiental caminham juntos. Hoje, esse cuidado faz parte da própria estrutura de funcionamento de um estabelecimento de saúde”, diz.

Além dos riscos ocupacionais, o descarte inadequado também pode provocar impactos ambientais relevantes, principalmente quando resíduos perigosos são destinados incorretamente. “Existe potencial de contaminação do solo, da água e comprometimento ambiental quando esses materiais não recebem o tratamento adequado”, alerta.


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