Quando o ar ‘pesa’: o que a Cetesb faz no período crítico de estiagem em SP

Fiscalizações, planos industriais, rede de monitoramento, e estados de alerta, atenção e emergência compõem a resposta da agência ambiental nos dias mais secos do ano

Sem chuva, com ar seco, baixa umidade e quase nenhum vento. No inverno paulista, esse cenário favorece a concentração de poluentes na atmosfera e pode comprometer a qualidade do ar. Para proteger a saúde da população, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) coloca em prática um protocolo especial que inclui desde fiscalizações em veículos a diesel até planos de redução de emissões com o setor industrial.

Um exemplo é a Operação Fumaça Preta, realizada anualmente na capital paulista. A ação autua caminhões, ônibus e caminhonetes a diesel com emissão visível de poluentes. Em 2025, mais de 70 mil veículos já foram vistoriados e uma grande ação de conscientização com caminhoneiros foi realizada em julho na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp).

Sempre que uma empresa, que é uma fonte potencial de poluição do ar, se instala em uma região da cidade, a Cetesb exige, já no licenciamento ambiental, que as indústrias e terminais de carga, por exemplo, tenham planos obrigatórios de redução de emissões. Esses planos são individualizados, com metas progressivas e fiscalização técnica da Companhia.

A Cetesb também integra o programa SP Sem Fogo, coordenado pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), com apoio da Defesa Civil, Polícia Ambiental e Corpo de Bombeiros. Desde 2023, o programa já investiu R$ 97 milhões em ações para prevenir e combater queimadas, uma das maiores fontes de poluição atmosférica nesse período. Entre as medidas estão a limpeza das margens de rodovias, aquisição de veículos e monitoramento por satélite.

Em situações de poluição atmosférica intensa, a Cetesb — ou, conforme o caso, a Secretaria ou o Governo do Estado — pode declarar oficialmente Estado de Atenção, Alerta ou Emergência. A decisão é baseada nos níveis de poluentes registrados pelas estações de monitoramento da qualidade do ar e nas condições meteorológicas observadas. As medidas adotadas variam de acordo com o nível decretado e o poluente predominante.

Estado de Atenção: é o primeiro nível, declarado quando os níveis de poluentes no ar ultrapassam os limites seguros e há previsão de que as condições meteorológicas vão dificultar a dispersão dos poluentes nas próximas 24 horas.

Estado de Alerta: é declarado quando os níveis de poluição ficam ainda mais altos e perigosos, com previsão de que as condições do tempo continuem ruins.

Estado de Emergência: é o nível mais grave de poluição do ar, quando há risco direto e imediato para a saúde de toda a população.


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