Por um Brasil com mais saneamento: a importância do plástico na construção de um futuro mais justo

Por Simone Carvalho

Em meio às expectativas em torno da COP30, que será realizada em novembro, em Belém, o Brasil vive um paradoxo: enquanto sedia um dos eventos globais mais relevantes sobre o futuro do planeta, ainda convive com a ausência de um direito básico para grande parte da sua população, o acesso a saneamento básico. Na capital paraense, essa contradição salta aos olhos (e ao olfato): segundo dados recentes, apenas 3% da população foi contemplada com obras de esgotamento sanitário até agora. No bairro do Tapanã, o esgoto corre a céu aberto entre as casas, e a esperança dos moradores por um “legado da COP” parece cada vez mais remota.

Diante desse cenário, é necessário lembrar que o país já possui uma legislação moderna e ambiciosa para enfrentar esse desafio: o Marco Legal do Saneamento Básico, sancionado em 2020, que estabelece a meta de universalizar o acesso à água potável e à coleta e tratamento de esgoto até 2033. O sucesso dessa empreitada, no entanto, depende não apenas de vontade política e recursos financeiros, mas também da adoção de tecnologias e materiais que garantam eficiência, durabilidade e economia nos projetos de infraestrutura. É nesse ponto que o plástico mostra sua atuação estratégica.

Os sistemas de tubulações feitos em polietileno de alta densidade (PEAD) e em PVC têm se consolidado como soluções de alto desempenho para obras de saneamento. Leves, resistentes e com longa vida útil, esses materiais oferecem vantagens técnicas e econômicas essenciais para acelerar a universalização do acesso à água e esgoto. No caso do PEAD, por exemplo, sua maleabilidade e elevada resistência a impactos e a incrustações garantem maior eficiência na condução de fluidos. Sua estanqueidade reduz drasticamente os vazamentos e perdas de água, enquanto o processo de instalação se mostra mais ágil e adaptável a diferentes tipos de solo, uma vantagem crucial em cidades como Belém, onde a urbanização avançou sobre várzeas e igarapés.

Já o PVC, presente em cerca de 90% das tubulações prediais e em cerca de 60% das redes de infraestrutura no Brasil, também se destaca por sua versatilidade e vocação social. O material é resistente à corrosão, tem alta estanqueidade, evitando perdas e contaminações, e apresenta um dos menores índices de falha por quilômetro instalado. Além disso, é reciclável, e até 70% dos produtos de PVC possuem longa vida útil, podendo chegar a até 100 anos.

Apesar das evidências, o uso desse tipo de tecnologia ainda está longe de se tornar regra, sobretudo em áreas periféricas. As obras realizadas até agora na capital paraense priorizaram intervenções urbanas e drenagem, deixando de lado o esgotamento sanitário em regiões mais carentes. A população da Vila da Barca, por exemplo, ainda convive com o esgoto in natura sob as casas.

Esse quadro evidencia que os investimentos em saneamento precisam ir além das vitrines. É preciso investir em soluções técnicas viáveis e eficazes. O plástico, quando usado de forma correta, com responsabilidade ambiental e foco em circularidade, por exemplo, é um aliado poderoso para acelerar o avanço do saneamento, baratear obras e garantir qualidade e durabilidade às infraestruturas implantadas.

É simbólico que a COP30 aconteça justamente em Belém, cidade que espelha com clareza os dois Brasis: o que quer se apresentar ao mundo como exemplo de compromisso climático, e o que ainda resiste à margem, lutando por dignidade. A agenda ambiental não se dissocia da justiça social e garantir saneamento básico é, antes de tudo, garantir saúde, educação, igualdade de oportunidades e, sim, mitigação dos impactos das mudanças climáticas.

Universalizar o acesso à água e ao esgoto tratado até 2033 é uma tarefa monumental, mas possível. Esse avanço depende de inovação e do reconhecimento do valor estratégico dos materiais na transformação da infraestrutura brasileira. O verdadeiro legado da COP30 não será medido pelo número de praças urbanizadas, mas pela quantidade de crianças que deixarão de adoecer por falta de saneamento. O plástico, nesse contexto, deve ser parte da solução.

Simone Carvalho é integrante do grupo técnico do Movimento Plástico Transforma.


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