Perda de audição pode começar antes dos 60 anos e comprometer a qualidade de vida na terceira idade

Especialista orienta a identificar os primeiros sinais e destaca que a reabilitação ajuda a preservar a autonomia e a convivência familiar

A população brasileira está envelhecendo. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a população idosa já chega a 16%. Com isso, é preciso ter uma cuidado cada vez maior com essa população. Entre os aspectos que merecem esse carinho está a audição. Embora a perda auditiva faça parte desse processo natural, ela não deve ser encarada como algo que precisa ser aceito sem investigação ou tratamento.

De acordo com a Dra. Raquel Rodrigues, otorrinolaringologista do HOPE, o envelhecimento do sistema auditivo é a principal causa da perda da audição entre os idosos, mas alguns fatores podem acelerar esse processo. “Com o passar dos anos, o órgão da audição também envelhece. A partir dos 60 ou 65 anos, já é esperado que muitas pessoas apresentem algum grau de perda auditiva. Inclusive, alterações podem começar a surgir por volta dos 40 anos, mesmo sem provocar sintomas naquele momento”, diz. A especialista explica que doenças como hipertensão, diabetes e colesterol elevado quando não estão bem controladas, além do tabagismo, da predisposição genética, da exposição frequente a ruídos intensos e de infecções de ouvido não tratadas adequadamente contribuem para que esse comprometimento aconteça mais cedo.

A prevenção começa muito antes da terceira idade. “Controlar corretamente as comorbidades, manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física, abandonar o cigarro e proteger os ouvidos da exposição prolongada a sons intensos fazem diferença ao longo da vida. Muitas pessoas pensam apenas no ambiente de trabalho, mas a exposição recreativa também merece atenção. Permanecer próximo às caixas de som em shows, por exemplo, ou trabalhar com música sem os cuidados necessários pode favorecer o desgaste da audição”, comenta.

Identificar os primeiros sinais também é essencial para evitar que a perda avance sem tratamento. Segundo a otorrinolaringologista, a principal queixa costuma ser diferente do que muitos imaginam. “O paciente normalmente diz: ‘eu escuto, mas não entendo’. Aos poucos, ele aumenta o volume da televisão e do telefone, evita ambientes com muito barulho, passa a observar os movimentos da boca do interlocutor’. Esses são sinais importantes e merecem investigação”, alerta. Ela destaca que, diante de qualquer suspeita, o ideal é procurar avaliação especializada para realização da audiometria, exame capaz de identificar o tipo e o grau da alteração.


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