Outubro Rosa: como a atividade física pode contribuir na prevenção, durante o tratamento e na recuperação

Estudos científicos associam a prática regular de exercícios a um menor risco de câncer de mama

O Outubro Rosa é um convite à conscientização sobre o câncer de mama e à importância dos cuidados com a saúde. Entre os hábitos que merecem atenção está a prática regular de atividade física, que, além de contribuir para o bem-estar e a qualidade de vida, está associada a um menor risco de desenvolver a doença e pode trazer benefícios para mulheres durante e após o tratamento.

Para Leandro Twin, professor de Educação Física e embaixador da BlueFit, movimentar o corpo deve ser encarado como parte de uma rotina de cuidados que vai muito além da estética. “A atividade física tem benefícios importantes para a saúde como um todo. Melhorar o condicionamento, preservar a força muscular e ter mais disposição no dia a dia são alguns deles. O mais importante é entender que não é preciso fazer treinos intensos ou começar com grandes mudanças para construir uma rotina mais ativa”, explica.

Estudos científicos associam a prática regular de exercícios a um menor risco de câncer de mama. As pesquisas também apontam benefícios para pessoas que já receberam o diagnóstico, especialmente em aspectos como fadiga, capacidade física e qualidade de vida. Embora os resultados sobre recorrência e mortalidade sejam promissores, o exercício não substitui os tratamentos médicos nem garante que a doença não apareça ou volte.

Segundo o professor da BlueFit, para quem deseja sair do sedentarismo, o primeiro passo não precisa ser uma mudança radical na rotina. “Caminhadas, deslocamentos a pé, bicicleta e exercícios na academia são algumas das possibilidades para incluir mais movimento no dia a dia”, destaca.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a recomendação é que os adultos pratiquem de 150 a 300 minutos semanais de atividade aeróbica moderada, ou de 75 a 150 minutos de atividade vigorosa, além de exercícios de fortalecimento muscular em pelo menos dois dias da semana. Para quem ainda não tem o hábito de se exercitar, a orientação é começar dentro das próprias possibilidades e aumentar gradualmente a frequência e a intensidade.

“Não adianta querer mudar tudo de uma vez e acabar desistindo depois de algumas semanas. O exercício precisa fazer sentido para a rotina de cada pessoa. Começar com caminhadas ou treinos mais curtos e ir evoluindo aos poucos pode ser uma maneira mais sustentável de manter a regularidade”, afirma Twin.

O movimento também pode ajudar durante o tratamento

Os benefícios da atividade física não se limitam à prevenção. Para mulheres em tratamento contra o câncer de mama, exercícios adaptados às condições clínicas podem ajudar a preservar a força muscular, melhorar o condicionamento físico e reduzir a fadiga. Após o tratamento, o movimento também pode contribuir para a recuperação física e para a retomada das atividades cotidianas.

O treinamento de força para os braços também pode fazer parte da recuperação de mulheres que passaram por cirurgia de câncer de mama. Quando iniciado no momento adequado, com progressão gradual e orientação profissional, esse tipo de exercício é considerado seguro e pode contribuir para a recuperação da força e da funcionalidade dos membros superiores.

Uma das preocupações de muitas mulheres após a cirurgia é o linfedema, um inchaço que pode ocorrer quando há comprometimento da drenagem linfática, inclusive em decorrência de procedimentos realizados durante o tratamento do câncer de mama. No entanto, as evidências científicas indicam que exercícios resistidos realizados de forma progressiva e supervisionada não aumentam o risco de desenvolver linfedema. Para quem já apresenta a condição, o treinamento também pode ser possível, desde que adaptado às necessidades individuais e acompanhado por profissionais capacitados.

“Nesses casos, é fundamental respeitar as necessidades individuais. Os efeitos da cirurgia, da quimioterapia, da radioterapia e de outros tratamentos variam de pessoa para pessoa. Por isso, o início ou a retomada dos exercícios deve considerar os sintomas, as limitações e as orientações da equipe de saúde”, explica Twin.

“Cada pessoa tem uma realidade, e isso precisa ser respeitado. Para quem está passando por um tratamento, pode ser necessário adaptar os exercícios, reduzir a intensidade ou até priorizar o descanso em determinados momentos. O treino de força para os braços, por exemplo, pode ser retomado de forma gradual, respeitando a recuperação e as orientações dos profissionais responsáveis. O importante é ter orientação adequada e não transformar a atividade física em mais uma cobrança”, afirma o especialista.

Mais saúde, menos pressão

O Outubro Rosa também é uma oportunidade para reforçar que cuidar do corpo não deve ser sinônimo de buscar um padrão estético ou seguir uma rotina perfeita. Criar hábitos possíveis, encontrar atividades prazerosas e manter a regularidade são atitudes que podem contribuir para uma vida mais saudável.

A atividade física é uma aliada nesse processo, mas deve estar integrada a outros cuidados, como acompanhamento médico e realização dos exames recomendados para a detecção precoce do câncer de mama.

“Se movimentar é uma forma de cuidar de si, mas cada pessoa precisa encontrar seu próprio caminho. Não é sobre fazer o treino perfeito ou ter o melhor desempenho, e sim construir hábitos que contribuam para a saúde e o bem-estar ao longo do tempo”, finaliza Twin.


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