O cardiologista e a vacinação: uma parceria pela saúde do coração

Por Fábio Argenta 

No mês em que é celebrado o Dia do Cardiologista, vale destacar uma mudança importante na forma de cuidar da saúde do coração. Se a prevenção sempre fez parte da rotina desses especialistas, com orientações sobre alimentação, atividade física, controle da pressão arterial, colesterol e diabetes, hoje ela ganhou um novo aliado: a vacinação. Cada vez mais respaldada por evidências científicas, a imunização passou a ser reconhecida como uma estratégia capaz de reduzir o risco de complicações cardiovasculares desencadeadas por infecções, ampliando o papel do cardiologista na promoção da saúde.

Isso acontece porque infecções respiratórias, como gripe, Covid-19 e pneumonia, provocam uma resposta inflamatória intensa no organismo. Em pessoas com doenças cardiovasculares ou fatores de risco, esse processo pode aumentar a sobrecarga do coração e favorecer eventos graves, como infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e arritmias. 

Em 2025, a Sociedade Europeia de Cardiologia publicou um consenso reconhecendo a vacinação de rotina como quarto pilar da prevenção clínica cardiovascular, junto de medicamentos anti-hipertensivos, hipolipemiantes e antidiabéticos. A recomendação foi motivada por evidências de que as principais infecções transmissíveis, como as por influenza, pneumococos e SARS-CoV-2, podem aumentar o risco de doenças cardiovasculares. 

Em junho deste ano, uma pesquisa publicada na revista científica JAMA Internal Medicine mostrou que a vacina atualizada contra a Covid-19 reduziu em 38% o risco de AVC, insuficiência cardíaca e óbito cardiovascular em idosos. 

Segundo os pesquisadores, para cada 10 mil pessoas vacinadas, dois eventos cardiovasculares graves relacionados à Covid-19 deixaram de ocorrer. Considerando todos os eventos cardiovasculares avaliados, foram evitados 24 casos a cada 10 mil vacinados. 

A medicina evolui à medida que novas evidências científicas surgem, e a cardiologia acompanha esse movimento. Hoje, cuidar do coração significa olhar além dos exames, dos medicamentos e do controle da pressão arterial. Significa também prevenir infecções capazes de desencadear complicações graves. Nesse cenário, o cardiologista assume um papel cada vez mais estratégico ao orientar seus pacientes sobre a importância da vacinação. Afinal, proteger o coração também é evitar que doenças preveníveis comprometam a saúde da população.

Dr. Fábio Argenta, sócio-fundador e diretor médico da Saúde Livre Vacinas


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