Por Zilah Daijo
O aumento da expectativa de vida no Brasil é motivo de celebração. Afinal, viver mais é resultado dos avanços da medicina, da melhoria das condições sanitárias e do acesso cada vez maior aos serviços de saúde. Mas essa conquista traz uma pergunta que precisa ser respondida com urgência: estamos preparados para cuidar de uma população que envelhece?
A resposta passa, inevitavelmente, pelos cuidadores de pessoas idosas. São os cuidadores – familiares ou profissionais – que oferecem apoio emocional e garantem que as necessidades diárias sejam atendidas com dignidade.
Milhões de brasileiros, principalmente a mulher, assumem diariamente o cuidado sem qualquer direito e proteção. Muitos deixam o mercado de trabalho, reduzem sua renda, enfrentam jornadas exaustivas e convivem com o desgaste físico e emocional.
Quando o cuidador permanece isolado, sem informação e sem apoio, aumenta o risco de sobrecarga física e emocional, comprometendo tanto sua saúde quanto a da pessoa assistida.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) defende que os países fortaleçam políticas de cuidados de longa duração para responder ao envelhecimento populacional. O Brasil, no final de 2025, elabora o Plano Nacional do Cuidado, que considera o cuidado como direito e proteção do cidadão, de forma integral e integrada.
A Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social, atenta a essa nova política pública e tendo como referência a Formação Básica de Cuidadores de Pessoas Idosas e no Programa do Cuidando de quem Cuida, que vem executando há 10 anos idealizou o 1º Fórum Itinerante de Cuidadores de Pessoas Idosas: Desafios, Ação e Transformação, promovido em parceria com a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania da Prefeitura de São Paulo.
O fórum pretende abrir espaço para os cuidadores terem voz, sobre os seus desafios enfrentados no cotidiano, em relação ao seu autocuidado, sua relação com familiares e o cuidando, e o seu parecer sobre a regulamentação da sua profissão/ocupação.
A participação dos cuidadores é de fundamental importância para poder desconstruir conceitos antigos e construir novos.
Preparar o país para o envelhecimento passa, necessariamente, por preparar quem cuida. Porque uma sociedade que valoriza seus cuidadores é, acima de tudo, uma sociedade que respeita seus idosos e se prepara para o futuro.

Zilah Daijo é pedagoga e presidente da Comissão de Assistência Social da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social (Bunkyo)
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