Niède Guidon, arqueóloga

No último 4 de junho, faleceu uma de minhas heroínas mais admiradas, embora menos conhecida, Niède Guidon, de quem tomei conhecimento no final da década de 1970, por suas descobertas que revolucionaram a história da ocupação das Américas. Uns anos atrás, assistindo um documentário a respeito desse assunto, diversos pesquisadores norte-americanos foram apresentados como se autores fossem da tese, lamentável!

Niède nasceu em 12 de março de 1933, na cidade de Jaú (SP). Morreu em São Raimundo Nonato, Piauí, na região que devotou sua vida. Ela estudou em uma escola pública. Depois, formou-se em História Natural pela Universidade de São Paulo (USP).

Conseguiu uma bolsa e foi especializar-se em Arqueologia Pré-Histórica, com ênfase em arte rupestre, na Universidade de Sorbonne em Paris (1961–1962). De volta ao Brasil, foi contratada pelo Museu do Ipiranga, em São Paulo.

Em 1963, o prefeito de Petrolina (Pernambuco) mostrou-lhe fotos de esboços curiosos descobertos nas paredes de um abrigo da Capivara, foi uma revelação. Ela percebeu que eram pinturas antigas. Porém, aconteceu o golpe militar e ela foi perseguida, refugiou-se na França. Então, fez seu doutorado.

Em 1973, ela conseguiu ir para a Serra da Capivara finalmente, após receber uma verba do Centro Nacional da Pesquisa Científica (equivalente ao CNPq brasileiro), e firmar uma parceria com a Universidade de São Paulo. Ficou três meses visitando 58 sítios que eram conhecidos pela população local.

A consagração começou em junho de 1986, quando a revista Nature publicou suas descobertas: A visão de que o homem não chegou ao continente americano antes da última glaciação como tem sido sustentada pelos sítios arqueológicos. No entanto, relatamos agora datas de radiocarbono de um sítio brasileiro que comprovam que o homem primitivo já vivia na América do Sul há pelo menos 32.000 anos. Essas novas descobertas vêm do grande abrigo rochoso pintado do Boqueirão do Sítio da Pedra Furada, cujas paredes e teto são decorados com um rico conjunto de pinturas pré-históricas.

Em suma, foi um exemplo de alguém que amou e protegeu nosso patrimônio histórico, algo pouco valorizado por muitos radicais atualmente.

Mario Eugenio Saturno (fb. com/Mario.Eugenio.Saturno) é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano.


SUGESTÕES DE PAUTA: [email protected]

- Patrocinado -

Últimas

JORNAL UNICIDADE – ANO 4 – EDIÇÃO 199 – São Paulo, 24 a 31 de outubro de 2026

https://issuu.com/gruposulnews/docs/jornal_unicidade_ano_4_edi_o_199_s_o_paulo_

JORNAL VER A CIDADE – ANO 7 – EDIÇÃO 269 – São Paulo, 24 a 31 de outubro de 2026

https://issuu.com/gruposulnews/docs/jornal_ver_a_cidade_ano_7_edi_o_269_s_o_pau

JORNAL UNICIDADE – ANO 4 – EDIÇÃO 199 – São Paulo, 24 a 31 de outubro de 2026

https://issuu.com/gruposulnews/docs/jornal_unicidade_ano_4_edi_o_199_s_o_paulo_

JORNAL VER A CIDADE – ANO 7 – EDIÇÃO 269 – São Paulo, 24 a 31 de outubro de 2026

https://issuu.com/gruposulnews/docs/jornal_ver_a_cidade_ano_7_edi_o_269_s_o_pau

São Paulo amplia vacinação contra meningite e reforça importância da prevenção e do diagnóstico precoce

Cobertura de vacinas que ajudam a prevenir a doença supera os índices de 2025, entre crianças de 0 a 1 ano na capital A rede...

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui