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domingo, 4 janeiro, 2026

Gestão de risco no Brasil é caracterizada por ações pós-desastres

Em panorama histórico, pesquisadores analisam políticas públicas brasileiras para prevenir deslizamentos nas esferas municipal, estadual e federal

Diante de desastres naturais, que se repetem ano após ano no Brasil, há a percepção comum de que no País muitas ações só começam a ser implementadas depois que algo muito ruim acontece. A prevenção, que deveria vir antes, começa a dar os primeiros passos só depois de um evento de grande magnitude e muitas vidas afetadas. Um estudo de pesquisadores em Geografia confirma com dados essa percepção geral. Com liderança de Bianca Carvalho Vieira, eles apresentaram uma revisão cronológica das principais políticas, programas e ações desenvolvidos no País para mitigar o impacto de enchentes e deslizamentos.

O trabalho apresenta em forma de linha do tempo as políticas públicas produzidas nas esferas municipal, estadual e federal, e as ações de organismos globais, como a ONU, que aconteciam no período. “Eu venho trabalhando com deslizamentos e com a questão do monitoramento há muitos anos. Eu estava sentindo falta de algum trabalho que reunisse informações cronológicas sobre as principais políticas públicas”, diz Bianca Vieira.

Os pesquisadores identificaram ao menos três fases de ação voltadas para a gestão de risco e que se relacionam com deslizamentos e inundações: compreensão, coexistência e prevenção. “Uma das conclusões da pesquisa é que, de fato, o Brasil tem uma gestão de risco pós-desastre. Todas as grandes leis, as grandes ações, aconteceram depois de grandes desastres”, explica a professora.

O trabalho não tinha o objetivo de avaliar a efetividade dessas políticas – o que aliás, seria uma tarefa desafiadora, se não impossível, de acordo com Vieira. A revisão e as análises do artigo foram feitas com base em documentos oficiais do governo federal, no banco de dados de eventos emergenciais, no relatório de danos e perdas materiais resultantes de desastres naturais no Brasil.

Por Gabriele Mello para o Jornal da USP


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