Gelo de um milhão de anos da Antártica

Há dois anos, escrevi um artigo sobre perfurações no gelo da Antártica feitas por uma equipe norte-americana. Expliquei também que, como os anéis das árvores marcam anos (cada anel, um ano, por causa do inverno e verão), acontece o mesmo com a neve nos pólos sul e norte, formam camadas que podem ser isoladas, cada uma equivalendo um ano. E ainda, invernos rigorosos impactam no anel e na camada de neve, e a neve ainda nos fornece a composição química da atmosfera naquele ano.

Pois bem, uma equipe internacional de cientistas anunciou na quinta-feira, 9 de janeiro, que perfurou com sucesso um dos núcleos de gelo mais antigos já obtidos, atingindo quase 3 quilômetros de profundidade até o leito rochoso da Antártica, alcançando gelo com pelo menos 1,2 milhão de anos.

Além de provar que a Terra tem mais que seis mil anos, a análise do gelo antigo deve mostrar como a atmosfera e o clima da Terra evoluíram. Isso pode fornecer insights sobre como os ciclos da Era do Gelo mudaram e ajudar a entender como o carbono atmosférico, produtos químicos e poeiras na atmosfera alteraram o clima.A mesma equipe já havia perfurado um núcleo de gelo com cerca de 800 mil anos.

Graças à análise do núcleo de gelo da campanha anterior foi possível determinar que as concentrações de gases de efeito estufa, como dióxido de carbono e metano, mesmo nos períodos mais quentes dos últimos 800 mil anos, nunca ultrapassaram os níveis observados desde o início da Revolução Industrial. Hoje temos níveis de dióxido de carbono 50% acima dos níveis mais altos já registrados no gelo de 800 mil anos.

Em fevereiro do ano passado, foi publicado na revista Nature Geoscience que uma equipe do Reino Unido retirou de um núcleo de gelo de 610 metros de comprimento e descobriu evidências assustadoras que revelam que a camada de gelo da Antártica ocidental encolheu repentina e dramaticamente há cerca de 8 mil anos.

Constataram que a camada de gelo diminuiu 450 metros durante um período de apenas 200 anos no final da última Era do Gelo. É a primeira evidência direta desse fenômeno. Isso aponta para um catastrófico aumento global do nível do mar. A Antártica ocidental contém água suficiente para elevar o nível do mar em cerca de 5 metros, o que causaria inundações devastadoras em todo o mundo. Em 2024, passamos novamente os 1,5ºC acordado em Paris. Quando sairemos da negação?

Mario Eugenio Saturno (http://fb.com/Mario.Eugenio.Saturno ) é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano


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