Feliz Dia das Mães para as “Mulheres-Maravilha” da vida real

Esses dias, no aniversário de um amiguinho da Ana Luiza, uma mãe me perguntou: “Como você faz? Você é de outro planeta?” E completou: “Ah… mas pra você deve ser mais fácil, né? Você é pediatra.”

Eu ri.

Mas minha resposta foi quase automática: “Quem disse que eu dou conta?”

Tenho 40 anos. Sou médica, trabalho em UTI neonatal, consultório, plantões, estudo, tento cuidar da saúde, fazer atividade física, ser esposa, mãe da Ana Luiza, de 6 anos, e do Matheus, de 9.

E a verdade?

Muitas vezes eu me sinto exausta.

Essa semana mesmo esqueci de mandar a Ana com a roupa especial da escola. E junto com isso veio aquela culpa silenciosa que tantas mães carregam. A sensação de estar sempre falhando em algum lugar.

Em outro momento da conversa, comentei sobre um hábito matinal inspirado na medicina ayurvédica: água morna com limão, gengibre, cúrcuma e própolis. E ela brincou: “Agora descobri o seu segredo.”

Eu ri novamente.

Mas talvez exista um fundo de verdade nisso.

Não porque exista uma poção mágica capaz de fazer alguém “dar conta de tudo”. Mas porque pequenos gestos de autocuidado acabam funcionando como uma forma de lembrar a nós mesmas que também precisamos ser cuidadas.

Assim como ir para a aula de bike indoor logo cedo. Não é sobre performance. É sobre respirar antes da rotina começar. Sobre existir um pouco além das listas, dos horários e das responsabilidades.

Talvez porque fomos ensinadas que precisamos dar conta de tudo. Ser profissionais impecáveis, mães presentes, mulheres cuidadas, pacientes, produtivas, fortes… tudo ao mesmo tempo.

Mas existe uma maternidade real que quase ninguém mostra.

A mãe que responde mensagem do trabalho enquanto organiza lanche.

Que tenta equilibrar plantão, filhos, casamento e cansaço.

Que ama profundamente os filhos, mas que às vezes só queria alguns minutos de silêncio.

Talvez a maternidade não seja sobre dar conta de tudo.

Talvez seja sobre seguir tentando, amando e estando presente apesar das imperfeições.

E talvez exista algo profundamente bonito quando a gente entende que não precisa ser perfeita para ser uma boa mãe.

Feliz Dia das Mães para todas nós, mulheres reais, fortes, cansadas, amorosas e humanas.

Dra. Eliana Maekawa

Pediatra e Neonatologista

Mãe do Matheus e da Ana Luiza


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