Entre acordos climáticos e estratégias corporativas: o mundo em debate na COP30

Por Elizabeth Ribeiro Martins

Em 2025, o Brasil sedia a 30ª Conferência das Partes (COP30), que acontece em Belém, no Pará. A cidade escolhida oferecerá ao mundo uma plataforma única para debater soluções para a mudança do clima com os pés fincados no coração da Amazônia.

Como país anfitrião, o Brasil está comprometido em fortalecer o multilateralismo e a implementação do acordo de Paris. O Brasil, segundo o embaixador Maurício Lyrio, tem a missão de mobilizar trilhões de dólares para financiar a luta climática. Mas o desafio vai muito além de cifras. Trata-se de provar ao mundo que é possível aliar desenvolvimento econômico, justiça social e proteção ambiental em um cenário marcado por tensões geopolíticas, crises energéticas e desigualdades crescentes.

Para o setor empresarial, a COP30 não é apenas uma vitrine política, é um divisor de águas. Companhias que ainda enxergam a sustentabilidade como discurso de marketing correm o risco de perder espaço em cadeias globais que exigem transparência, metas de descarbonização e compromisso real com o ESG. Hoje, estar alinhado a essas pautas deixou de ser diferencial, é condição de sobrevivência.

Nesse contexto, a educação superior é um eixo estratégico. Não basta formar profissionais apenas com um diploma, é preciso formar lideranças capazes de traduzir as metas globais em soluções locais, que saibam gerenciar equipes multiculturais, valorizar a diversidade e a inclusão, além de promover estratégias ESG aplicáveis a empresas de diferentes portes e que impulsionam a inovação nas finanças sustentáveis. Projetos acadêmicos, simulações diplomáticas, masterclasses com profissionais do mercado e atividades práticas já apontam esse caminho, mas ainda precisamos dar escala a esse movimento com senso crítico e postura ética, promovendo o protagonismo que a transição verde exige, com decisões corajosas que integrem biodiversidade, saberes tradicionais e ciência em soluções globais.

Em um mundo em que as fronteiras se tornam cada vez mais fluidas para os negócios, cresce a demanda por profissionais capazes de transitar entre diferentes culturas, compreender dinâmicas globais e responder a desafios locais com visão estratégica. Nesse cenário, formações que unem competências de gestão internacional, inovação e sustentabilidade tornam-se essenciais para preparar executivos aptos a dialogar com investidores internacionais, negociar em ambientes multiculturais e transformar metas climáticas em oportunidades de negócios. São esses profissionais, preparados para atuar sem fronteiras, que terão papel decisivo em posicionar empresas e países na linha de frente da transição verde.

Elizabeth Ribeiro Martins é coordenadora da Graduação digital 4D em Gestão Internacional da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR)


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