E se o mundo caminhasse ao lado das mulheres?

Existe uma expectativa silenciosa sobre as mulheres: a de que consigamos dar conta de tudo. Trabalho, filhos, casa, emoções da família, organização da rotina — muitas vezes tudo ao mesmo tempo. E, curiosamente, quando tudo funciona bem, isso parece apenas o esperado. Mas basta algo sair do lugar para surgir a pergunta implícita: onde estava a mãe?

A mulher contemporânea vive um paradoxo curioso. Nunca tivemos tantas oportunidades profissionais, educacionais e de autonomia. Ao mesmo tempo, nunca pareceu tão exigente equilibrar todas as dimensões da vida.

Na minha própria rotina isso aparece de forma muito concreta. Sou mãe de duas crianças, médica neonatologista, desenvolvo projetos profissionais e empreendedores e, como tantas mulheres, também cuido dos detalhes da vida cotidiana — do meu cachorro Duke, das nossas duas calopsitas, da agenda das crianças e da casa.

Existe também um fenômeno curioso na nossa cultura. Quando uma criança é educada, vai bem na escola e demonstra autonomia, raramente alguém pergunta quem é a mãe. Mas se aparece uma nota baixa ou um comportamento mais desafiador — algo absolutamente natural no desenvolvimento — rapidamente surge a pergunta: “E a mãe?”

Nos últimos meses, esse debate ganhou força nas redes sociais a partir da série It’s All Her Fault, que expõe justamente essa tendência de atribuir às mulheres a responsabilidade por tudo que acontece dentro da família. Mesmo com tantos avanços profissionais, muitas mulheres seguem sustentando uma jornada invisível.

Talvez por isso algumas tradições falem sobre o sagrado feminino — não como romantização da sobrecarga, mas como reconhecimento da potência da mulher que gera, cuida e transforma a vida ao seu redor.

Neste Dia da Mulher, talvez a pergunta mais importante não seja se as mulheres são fortes o suficiente para carregar o mundo. Talvez a pergunta seja outra: e se o mundo finalmente aprendesse a caminhar ao lado das mulheres?

Dra. Eliana Maekawa

Pediatra e Neonatologista

Mãe do Matheus e da Ana Luiza


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