Diabetes em idosos amplia risco de quedas e perda de autonomia

Doença pode levar a perda de força nas pernas, que compromete equilíbrio, mobilidade e independência

O avanço do diabetes no Brasil impõe um novo sinal de alerta para a saúde pública. Além do impacto metabólico, a doença também pode acelerar a perda de força muscular, piorar a mobilidade e aumentar o risco de quedas entre idosos. Num país que já soma 32,1 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, o tema ganha espaço não só nos consultórios, mas também no debate sobre autonomia, envelhecimento e prevenção.

Dados da Sociedade Brasileira de Diabetes mostram que o Brasil tinha 16,6 milhões de pessoas com diabetes em 2024, o que coloca o país na sexta posição mundial em número de casos. O mesmo levantamento aponta que 32% dos casos seguem sem diagnóstico, o equivalente a 5,3 milhões de brasileiros.

Entre os idosos, o cenário é ainda mais preocupante. A Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes em parceria com a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia informa que a prevalência da doença chega a 30,4% entre pessoas com mais de 65 anos.

Na avaliação da fisioterapeuta Dra. Mariana Milazzotto, esse quadro exige uma mudança importante na forma de observar o diabetes nos idosos. “Muita gente ainda associa o diabetes apenas à glicemia, à medicação e à alimentação. Mas, no idoso, a doença também afeta a função. Quando a força nas pernas diminui, o corpo perde eficiência para caminhar, levantar, reagir aos desequilíbrios e sustentar a independência”, afirma.

Segundo o especialista, o problema costuma surgir de forma silenciosa. “Nem sempre o idoso diz que está perdendo força. Muitas vezes, ele relata que está mais lento, inseguro ou cansado. Esses sinais merecem atenção porque podem anteceder quedas e perda de autonomia”, diz Milazzotto.

Na prática, isso significa que os membros inferiores passam a responder pior justamente em funções essenciais para a vida diária. Caminhar com estabilidade, levantar da cadeira, manter o equilíbrio, mudar de direção e subir degraus deixam de ser gestos automáticos e passam a representar esforço, insegurança e risco real de acidente doméstico.

Além da progressão da doença, episódios de hipoglicemia também entram na conta do risco. Entre idosos, a hipoglicemia eleva a chance de quedas, atendimentos de emergência, eventos cardiovasculares, prejuízo cognitivo e mortalidade. Isso reforça a necessidade de um olhar mais amplo sobre o paciente idoso com diabetes. 


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