Dia Mundial da Alfabetização e a importância de respeitar etapas do aprendizado da leitura

Por Luciana Brites

Celebrado em 8 de setembro, o Dia Mundial da Alfabetização nos ajuda a refletir sobre os desafios enfrentados por alunos, professores e famílias. Também ressalta a importância de compreender o desenvolvimento da leitura e analisar quais estratégias favorecem esse processo.

Para ler uma palavra, o cérebro utiliza dois caminhos principais. O primeiro é a chamada rota fonológica, responsável pela leitura inicial e pela decodificação de palavras. Nesse processo, a criança junta sons e letra por letra. Essa etapa é mais lenta e exige esforço cognitivo e construção gradual da habilidade.

O segundo caminho é a rota lexical. O cérebro já reconhece a palavra visualmente e consegue identificá-las de maneira rápida e automática, sem precisar soletrar, por exemplo. O desenvolvimento da leitura acontece de forma eficiente quando os dois caminhos funcionam em equilíbrio.

A dificuldade surge quando se tenta acelerar o processo, priorizando o reconhecimento visual antes que a criança consolide habilidades fundamentais relacionadas à consciência dos sons. Quando a alfabetização se apoia na memorização visual, a criança pode apresentar dificuldades diante de palavras novas, demonstrando dependência da memória e insegurança na leitura.

Alguns sinais podem indicar que o processo não está consolidado. Por exemplo, a criança que consegue nomear letras isoladamente, mas não consegue unir sons para formar palavras completas. Outro indicativo é a dificuldade em perceber rimas e semelhanças sonoras entre palavras, demonstrando fragilidade na percepção dos sons da fala.

A leitura não é uma habilidade adquirida de maneira natural. Trata-se de uma construção que exige treinamento e adaptação cerebral. Com isso, a consciência fonológica aparece como habilidade central no processo de alfabetização. Ela envolve a capacidade de perceber que palavras são formadas por unidades sonoras menores e de manipular esses sons de diferentes formas.  Atividades como rimas, aliterações e exploração sonora contribuem para fortalecer essa base, favorecendo a construção da leitura e da escrita.

No Dia Mundial da Alfabetização, a reflexão proposta deve ir além do acesso à leitura. Ela deve reconhecer que alfabetizar envolve conhecimento, estratégia e compreensão profunda sobre como o cérebro aprende. Entender a ciência por trás da alfabetização é o que diferencia o mestre de um instrutor.

Luciana Brites é CEO do Instituto NeuroSaber, psicopedagoga, psicomotricista


SUGESTÕES DE PAUTA: [email protected] 

- Patrocinado -

Últimas

JORNAL UNICIDADE – ANO 4 – EDIÇÃO 197 – São Paulo, 10 a 16 de outubro de 2026

https://issuu.com/gruposulnews/docs/jornal_unicidade_ano_4_edi_o_197_s_o_paulo_

JORNAL VER A CIDADE – ANO 7 – EDIÇÃO 267 – São Paulo, 10 a 16 de outubro de 2026

https://issuu.com/gruposulnews/docs/jornal_ver_a_cidade_ano_7_edi_o_267_s_o_pau

JORNAL UNICIDADE – ANO 4 – EDIÇÃO 197 – São Paulo, 10 a 16 de outubro de 2026

https://issuu.com/gruposulnews/docs/jornal_unicidade_ano_4_edi_o_197_s_o_paulo_

JORNAL VER A CIDADE – ANO 7 – EDIÇÃO 267 – São Paulo, 10 a 16 de outubro de 2026

https://issuu.com/gruposulnews/docs/jornal_ver_a_cidade_ano_7_edi_o_267_s_o_pau

Protocolo de monitoramento cerebral reduz em cerca de 54% tempo de internação de recém-nascidos em UTIs municipais de São Paulo

Tecnologia acompanha cérebro de bebês de alto risco em tempo real e identifica crises que podem não apresentar sinais visíveis  O uso de um protocolo...

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui