Crise de meia-idade

Por Mario Eugenio Saturno

Dias atrás, a Time publicou a interessante matéria “Esqueça a crise de meia-idade. Pode ser o seu capítulo mais feliz”, que pode ser lida online e que farei uma pequena sinopse.

A crise da meia-idade é crida acontecer para quase todos entre 40 e 60 anos. A pessoa tem a percepção de que já se viveu metade da vida. É quando se faz um balanço sobre realizações, fracassos e sonhos não cumpridos. E provoca mudanças de comportamento, desde cuidar mais da aparência até trocar de carreira ou buscar novos relacionamentos. E a sensação de que o futuro é mais curto pode levar a decisões mais ousadas (e descuidadas).

O termo “crise de meia-idade” foi cunhado em um artigo de 1965 do psicanalista e cientista social Elliot Jacques, mas “meia-idade” e “crise” nunca foram bem definidas. O que se considera uma crise de meia-idade varia amplamente, desde doenças até divórcios e angústia, e crises semelhantes acontecem em outras fases da vida com aproximadamente a mesma taxa.

Os pesquisadores normalmente estudam a meia-idade dos 40 aos 65 anos, um período amplo que clama por subcategorias, conforme Hollen Reischer, psicóloga clínica da Universidade de Buffalo.

Mas estudos mais recentes desafiaram a universalidade da crise de meia-idade. Muitas pessoas na meia-idade sofrem angústia, mas ela é moldada por pressões sociais e econômicas, não por um declínio inevitável relacionado à idade. E muitas outras experimentam o oposto. Os pesquisadores afirmam que esse período frequentemente coincide com picos de autoaceitação e satisfação nos relacionamentos.

Pesquisas nos anos 1990 mostraram piora na meia-idade e, em 2004, economistas de Dartmouth descobriram que, por volta dos 40 anos, as pessoas relatavam o pior bem-estar, formando o fundo do U, da curva, em comparação com idades mais jovens e mais velhas.

Posteriormente, no entanto, pesquisadores da Universidade de Alberta no Canadá e da Universidade Brandeis adotaram outra abordagem. Em vez de comparar pessoas diferentes em idades diferentes, eles analisaram pesquisas que acompanhavam as mesmas pessoas ao longo dos anos da meia-idade para ver como sua felicidade mudava com o tempo. Ela aumentou de forma constante, em média, levantando dúvidas sobre um mal-estar psicológico tão previsível quanto a menopausa ou o crescimento de pelos masculinos.

Em um estudo recente de Kira Birditt, professora pesquisadora do Instituto de Pesquisa Social da Universidade de Michigan, cuidadores na meia-idade relataram sentir-se menos estressados e sobrecarregados do que adultos mais jovens que eram cuidadores. Pesquisas recentes sugerem que os adultos jovens estão cada vez mais infelizes.

Mario Eugenio Saturno (fb. com/Mario.Eugenio.Saturno) é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)


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