Como lidar com a transformação de sentimentos da adolescência

Com o início da adolescência, tudo fica diferente nos filhos. Isso vai muito além da fisionomia. Até a maneira de pensar e agir mudam completamente. Como os pais podem entender essas transformações de humor e sentimentos?

O filme Divertida Mente 2 (Pixar), apresenta de maneira lúdica essas alterações na vida. A continuidade do desenho mostra a personagem Riley, agora adolescente, vivenciando diferentes sentimentos. A nova “sala de controle” conta com emoções, que anteriormente não eram tão percebidas pela personagem. A ansiedade, a inveja, o tédio e a vergonha se juntam aos companheiros alegria, tristeza, raiva, medo e nojo.

O filme pode ajudar os pais a entenderem a importância de compreender as mudanças nos jovens. Isso também faz refletir sobre os adultos que precisam entrar em contato com suas emoções, além de entender que todas elas fazem parte da vida.

A adolescência é marcada por muitas cobranças e julgamentos. Geralmente, nessa fase da vida ouve-se muito: “você já tem tantos anos, comporte-se como uma pessoa de sua idade” ou “pare de agir como criança”. Vale lembrar que os jovens estão descobrindo e fortalecendo seus valores.

A vinda dos novos personagens/emoções, nos mostra que sentir emoção não é ruim. A grande questão é sobre como a valência de cada uma delas impacta nossas vidas e como lidamos quando uma determinada emoção está numa valência alta ou muito baixa?

Outro ponto a se pensar é sobre o fator inibição emocional, comportamento em que a pessoa não demonstra o que sente e muito menos se permite sentir. Muitos acreditam ser um grande erro demonstrar sentimento e entrar em contato com o que se sente.

A emoção é algo que todos nós podemos sentir e acolher. Também devemos pensar em como serão nossas ações e estratégias para lidar com cada uma delas. Isso é uma forma de aprender a lidar com nosso lado mais vulnerável e com nossos lados mais felizes e mais sérios.

Portanto, que possamos lidar de forma mais saudável com o nosso sentir e viver uma vida que tenha regulação emocional e humanização das nossas vulnerabilidades. Junto disso, refletir que podemos, de forma coletiva e individual, buscar um caminho que não seja de julgamentos e culpas.

Livia Marques – Psicóloga Clínica, Especialista em Terapia Cognitiva Comportamental, Formação em Terapia do Esquema, Estudiosa em relações raciais e saúde mental negra, Palestrante, MBA em Gestão de Pessoas, Coordenadora editorial e autora, além de apaixonada pelo filme Divertida Mente.


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