Por Simone Vicente Reis
A preservação do meio ambiente não é apenas uma agenda ambiental, é também uma agenda de saúde pública.
Ondas de calor, enchentes, secas e incêndios florestais já representam riscos concretos na saúde das populações. De acordo com o estudo lançado em 2025, pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, as ondas de calor têm se tornado mais recentes no país, causando agravos na saúde principalmente de idosos, crianças e populações mais vulneráveis.
A literatura internacional reforça esse quadro ao apontar que os efeitos climáticos se expressam em desfechos concretos de saúde ao longo de toda a vida, com impactos físicos, cognitivos e psicológicos.
Nesse contexto, a medicina diagnóstica torna-se ainda mais estratégica à medida que fatores ambientais passam a influenciar diretamente o perfil epidemiológico das populações, crescendo a importância de sistemas capazes de detectar precocemente doenças, monitorar tendências e apoiar decisões clínicas baseadas em dados. Na radiologia, estudos de ciclo de vida indicam que reduzir exames desnecessários, priorizar modalidades de menor impacto ambiental, quando clinicamente equivalentes, e revisar protocolos para evitar sequências pouco úteis podem diminuir emissões sem comprometer a qualidade assistencial.
Embora ainda raso, estudos apontam que a direção concreta para a medicina diagnóstica, diante do avanço de variações climáticas, é identificar precocemente agravos respiratórios, cardiovasculares e infecciosos, acompanhando e rastreando mudanças no perfil epidemiológico em tempo real.
Em um mundo onde os impactos ambientais já se traduzem em riscos concretos à saúde, antecipar desafios tornou-se uma necessidade. Investir em prevenção, ciência, vigilância e inovação será essencial para proteger pessoas e fortalecer sistemas de saúde capazes de responder aos desafios de um planeta em transformação.

Simone Vicente Reis é CEO da Fundação Instituto de Pesquisa e Estudo de Diagnóstico por Imagem (FIDI)
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