Aumento no número de sinistros com ciclistas em SP escancara problemas estruturais das ciclovias

Segundo dados divulgados pela SPTrans, em 2025, houve uma redução no número de passageiros de ônibus na capital paulista em relação ao ano anterior. Enquanto em 2024 a média era de 7,13 milhões de paulistanos, no ano seguinte o índice caiu para 7,05 milhões. Essas estatísticas indicam uma mudança no modo de transporte utilizado pelos habitantes de São Paulo.

O avanço do transporte individual foi um dos fatores para essa redução recente, principalmente as motocicletas. As bicicletas também têm ganhado mais espaço no panorama atual da cidade. Com custo mais acessível para as pessoas e de fácil locomoção em curtas distâncias, paulistas têm optado por esse modo de transporte no dia a dia. Contudo, o município não tem acompanhado essa tendência, apresentando problemas envolvendo ciclistas e o estado das próprias ciclovias.

De acordo com a Associação Brasileira do Setor de Bicicletas, apenas em janeiro deste ano houve um aumento de 15% nas ocorrências de sinistros em relação ao mesmo período de 2024. Mateus Humberto, professor no Departamento de Engenharia de Transportes da Escola Politécnica (Poli) da USP, afirma que a largura das vias destinadas a ciclistas, pistas escorregadias, buracos e até falta de limpeza das ciclovias são alguns dos problemas que contribuem para esse aumento.

De acordo com a organização, cerca de 73% dos sinistros registrados em janeiro aconteceram fora das ciclovias. A baixa porcentagem destinada às faixas próprias para uso de bicicletas na capital paulista e a qualidade delas são fatores que impactam diretamente esse índice. “Não me surpreende que a maioria dos sinistros aconteça em lugares onde não haja ciclovia, que é justamente onde esse conflito com o transporte motorizado é maior. Se 1% só da infraestrutura cicloviária em São Paulo é coberta por bicicletas, se todo mundo quiser andar só por ciclovia e ciclofaixa, isso é impraticável. Em muitos bairros periféricos que andam muito de bicicleta, como é o caso de São Miguel Paulista, isso é muito evidente, as pessoas andam por onde tem que andar”, comenta o professor.

Independentemente da área em que estão os ciclistas, a convivência e respeito no trânsito deveriam ser priorizados, de acordo com Humberto. Entretanto, a presença de faixas exclusivas de qualidade para ciclistas é essencial para atender a diferentes demandas, em especial pessoas com baixa habilidade ou inseguras ao andar de bicicleta.

Por Breno Marino para o Jornal da USP


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