ARTIGO | Autismo em Mulheres: Os Mistérios da Identificação

O autismo é um transtorno onde se tem características próprias e níveis de suporte. Nos níveis 2 e 3 de suporte as diferenças, as características do espectro, são mais marcantes tanto em homens como em mulheres. Existe a dificuldade na comunicação, o prejuízo na socialização, além da preferência por rituais e rotinas rígidas. A grande dificuldade do diagnóstico e a maior diferença, entre homens e mulheres, se dá no nível 01, que é o autismo com menor necessidade de suporte; antigamente chamado de Síndrome de Asperger.

A diferença de diagnóstico entre homens e mulheres é que, nas mulheres, a dificuldade do diagnóstico é mais aparente. Geralmente as meninas são mais falantes, pode se encontrar pacientes mulheres que não tem dificuldade na construção da linguagem, mas pode se observar uma dificuldade na compreensão do que é dito, ou seja, na compreensão do discurso.

Essas pacientes não conseguem compreender piadas de duplo sentido, metáforas. Elas não conseguem compreender e se inserir bem nos jogos sociais. Isso é muito visto principalmente na adolescência; inclusive essas meninas, quando sofrem bullying na escola, elas nem sabem que estão sofrendo bullying porque não conseguem entender a piada, não conseguem entender o motivo ou porque elas não são bem aceitas.

Eu costumo dizer que uma das características principais, o que chama mais atenção nessas mulheres dentro do espectro autista, é a capacidade de vestir várias máscaras para se sentir acolhida nos diferentes grupos sociais, nas diferentes tribos. Conversando com minhas adolescentes, descobri que se você tiver na escola tribos que falem, por exemplo, sobre música sertaneja, elas vão se esforçar ao máximo para serem aceitas naquele grupo

E essa necessidade de ser aceita passa por uma maior probabilidade de envolvimentos abusivos. Essas mulheres tem dificuldade de serem assertivas nos relacionamentos e de dizerem não.

O mais importante é você acreditar nessa paciente. Eu trabalho e convivo com autismo há vinte anos e o que eu tenho visto hoje são mulheres e pacientes que muitos profissionais não acreditam nesse diagnóstico. O mais importante é fazer um diagnóstico com profissional sério e competente.

Dra. Gesika Amorim é Mestre em Educação médica, especialista em Neurodesenvolvimento e Saúde Mental e Membro da Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil


SUGESTÕES DE PAUTA: [email protected]

- Patrocinado -

Últimas

Orgulho Autista e o STF: a dignidade não pode ser limitada por planilhas de planos de saúde

Por André Naves O Dia do Orgulho Autista, celebrado 18...

Junho Violeta: conheça os serviços da Prefeitura para proteção da população idosa

Rede socioassistencial oferece serviços de prevenção à violência, fortalecimento...

Capacete compartilhado: quais os riscos invisíveis de usar equipamentos de terceiros

Higienização adequada ajuda a evitar odores, fungos e irritações...

Orgulho Autista e o STF: a dignidade não pode ser limitada por planilhas de planos de saúde

Por André Naves O Dia do Orgulho Autista, celebrado 18 de junho, foi instituído para mudar a narrativa sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA):...

Junho Violeta: conheça os serviços da Prefeitura para proteção da população idosa

Rede socioassistencial oferece serviços de prevenção à violência, fortalecimento de vínculos e acolhimento para a população idosa O mês de junho é marcado pela campanha...

Capacete compartilhado: quais os riscos invisíveis de usar equipamentos de terceiros

Higienização adequada ajuda a evitar odores, fungos e irritações causadas pelo acúmulo de resíduos dentro dos equipamentos Com mais de 34 milhões de motocicletas, motonetas...

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui