Agressores exploram confiança, jogos on-line e ausência de supervisão para aliciar adolescentes na internet, revela estudo inédito

Terceira fase do mapeamento elaborado pelo ChildFund entrevista vítimas e perpetradores e aponta dinâmicas de abuso sexual on-line no Brasil

A terceira fase da pesquisa Mapeamento dos Fatores de Vulnerabilidade de Adolescentes Brasileiros na Internet, do ChildFund, traz dados inéditos sobre a violência sexual on-line no Brasil. Os resultados foram apresentados durante o seminário “Maio Laranja: proteger é cuidar em todo lugar”, realizado na Câmara Municipal de São Paulo (SP). 

A nova etapa, realizada em parceria com o Instituto Tecnologia e Dignidade Humana, amplia o escopo das análises ao trazer dimensões subjetivas, motivações e contextos que ajudam a explicar tanto a vulnerabilização de adolescentes quanto os mecanismos utilizados por agressores. 

Foram realizadas entrevistas com três vítimas e mostram que a violência sexual on-line não ocorre de forma isolada, mas está profundamente ligada a contextos familiares, emocionais e sociais. Entre os principais fatores de vulnerabilidade identificados estão a ausência de diálogo sobre sexualidade, a falta de supervisão digital e o desconhecimento sobre riscos no ambiente virtual. Os relatos mostram ainda que as vítimas não reconhecem situações de abuso no momento em que ocorrem. 

As entrevistas com três perpetradores anônimos que atualmente estão cumprindo pena em regime fechado, realizadas com apoio do sistema de justiça e conduzidas em ambiente prisional, trouxeram padrões nas trajetórias dos agressores. Entre os principais fatores identificados estão a exposição precoce à pornografia, a ausência de diálogo familiar sobre sexualidade, históricos de violência doméstica e negligência emocional, além do uso intensivo de tecnologias digitais sem supervisão.

 “A pesquisa quebra o mito de que alguém se torna abusador porque foi abusado na infância. Com esta fase, esse debate abre outros caminhos. Estamos diante de evidências de que o  acesso precoce à pornografia pode gerar o abusador”, comenta Mauricio Cunha, presidente executivo do ChildFund.


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