O próximo desastre solar

O Programa Embrace/INPE, Estudo e Monitoramento Brasileiro de Clima Espacial, foi criado em agosto de 2007 por uma força tarefa entre os servidores do INPE para desenvolver e operar um programa de clima espacial.

Com a missão de observar o ambiente do espaço Sol-Terra, a magnetosfera, a atmosfera superior e os efeitos de correntes elétricas induzidas no solo para prever possíveis influências nas atividades tecnológicas, econômicas e sociais. Visa proteger a infraestrutura brasileira, ou seja, todos os sistemas de comunicações Terra-Satélites, Terra-Terra.

O sol segue um ciclo de 11 anos, culminando com a formação de manchas solares e tempestades solares que ejetam massa para o espaço, quando essa massa atinge a Terra, os danos são enormes. A tempestade solar de 1859, chamada de Evento Carrington, ejetou muita massa coronal solar que atingiu a magnetosfera da Terra e induziu uma das maiores tempestades geomagnéticas já registradas.

Diversos cientistas estudaram o tema e afirmam que se uma tempestade solar desta magnitude acontecesse hoje, provavelmente, causaria destruição generalizada das redes elétricas e de comunicação.

Em 10 de maio, formou-se uma mancha solar, denominada AR3664, que logo se tornou tão grande quanto a do Evento de 1959. Para se ter uma ideia, caberia 15 Terras enfileiradas na AR3664. Foi a maior tempestade solar dos últimos 21 anos, durou uma rotação completa do sol, trazendo mais explosões intensas.

A tempestade, que estava classificada como G4 (severa), passou para G5 (extrema), a classificação máxima da escala utilizada pelos cientistas. O evento provocou auroras boreais em várias regiões do planeta, incluindo latitudes onde esses fenômenos não costumam ocorrer.

Depois, finalmente, a mancha continuou girando com o sol e ficou do outro lado do sol, quando emitiu grandes explosões, com uma provável X12, que atingiu Vênus e quebrou todos os recordes do atual ciclo de 11 anos. Após outras erupções intensas, ela completou uma rotação solar inteira e reapareceu no lado esquerdo do disco solar.

A Terra escapou dessa vez, mas, cedo ou tarde, uma explosão solar estará apontada para a Terra e os desastres serão inimagináveis. O Brasil também tem uma proposta de um satélite artificial para estudar o sol utilizando tecnologia nacional, mas convencer políticos brasileiros é mais difícil que desenvolver tecnologia.

Mario Eugenio Saturno é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano


 SUGESTÕES DE PAUTA: [email protected]

- Patrocinado -

Últimas

Plataforma SampaAdapta monitora o calor urbano e promove políticas públicas para adaptação climática – jornal da usp

Prefeitura de São Paulo conta com suporte científico de pesquisadores da USP para desenvolver projeto de monitoramento de dados climáticos Diante do aumento das temperaturas...

Digitalização das escolas brasileiras avançou de forma desigual, aponta levantamento

Estudo indica aceleração após a pandemia, diferenças estruturais entre redes pública e privada e consolidação parcial do ensino híbrido Um levantamento feito pela Adobe Acrobat...

Exposição “Cabodá”, na Capela do Morumbi, um dos edifícios mais antigos de São Paulo, é prorrogada até outubro

Obra é construída a partir dos furos originais da taipa de pilão e traz reflexão sobre equilíbrio, corpo e espaço A exposição Cabodá, da artista...

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui