Discriminação prejudica saúde de adolescentes

Cientistas da Escola de Cinesiologia da Universidade de Michigan, publicaram o estudo “Discriminação Racial e Desregulação do Eixo Hipotálamo-Hipófise-Adrenal em Adolescentes com Sobrepeso e Obesidade: O Contexto Importa?” na revista Psychosomatic Medicine, que mostra que estresse causado pela discriminação racial está relacionado a uma série de condições crônicas de saúde.

Foram entrevistaram cem adolescentes de 13 a 19 anos, que tinham obesidade ou sobrepeso (o foco da discriminação), sendo 49% negros não hispânicos e 65% meninas.

O contexto da discriminação racial foi medido usando o Índice de Angústia por Discriminação Auto Relatado. E mediram o cortisol (hormônio do estresse) da saliva cinco vezes por dia durante três dias para traçar a curva.

Em pessoas saudáveis, o cortisol é mais alto pela manhã, o que nos ajuda a sentir alerta, e cai gradualmente ao longo do dia. Mas situações de estresse podem perturbar esse padrão e atenuar essa queda, de modo que o cortisol seja mais baixo pela manhã, mas não caia tanto ao longo do dia.

A pesquisa revelou que os adolescentes que sofreram discriminação tinham níveis não saudáveis do cortisol, circulando em seus corpos ao longo do dia. Níveis altos de cortisol estão conectados a condições crônicas de saúde, como o aumento das taxas de obesidade, risco de diabetes tipo 2, ansiedade e depressão, e quase toda doença crônica.

No geral, 69% dos participantes relataram exposição a, pelo menos, um tipo de discriminação racial. Dos adolescentes negros, 57% relataram discriminação racial institucional em comparação com 27% dos adolescentes brancos.

Uma conclusão realmente importante é que a discriminação racial é prejudicial para todos. É preciso criar programas que despertem a humanidade de todos. Os cientistas do laboratório desenvolveram um programa de atividade física para casa e sala de aula, para proporcionar às crianças atividades ao longo do dia.

Eles esperam que os exercícios ajudem a combater os efeitos negativos do estresse e da discriminação racial, e fomentar os relacionamentos positivos entre colegas para desencorajar o racismo. Um exemplo a ser imitado também em nosso país.

Mario Eugenio Saturno é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano


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