ARTIGO | Autismo e deficiência auditiva: Características podem confundir diagnósticos  

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) manifesta-se na infância e persiste na adolescência e vida adulta. Na maioria dos casos, os sintomas surgem nos primeiros cinco anos de vida e as pessoas afetadas pela condição podem ter circunstâncias comórbidas, como epilepsia, depressão e ansiedade. Já o nível intelectual pode variar muito de um caso para outro, desde comprometimento profundo até casos com altas habilidades cognitivas. 

Os indivíduos com TEA têm como uma de suas principais características a falha na comunicação social, não apenas verbal, mas também não verbal, como o olhar perdido sem expressão; não se aconchegar no colo da mãe quando bebê ou não solicitar a atenção dos cuidadores, seja sorrindo ou chorando; não compartilhar atenção e interesse com os outros nem com os pares de idade, entre outras.

Padrões repetitivos de comportamento e interesses restritos também são características importantes. Podem, da mesma forma, apresentar questões sensoriais, como, por exemplo, a rejeição ao toque, intolerância a texturas, irritação ou agressividade com determinados tipos de sons em intensidade (volume) não tão elevados etc.
Por outro lado, os deficientes auditivos podem apresentar falhas na comunicação por não ouvir. Assim, não respondem a chamados e, dependendo do grau de perda da audição, podem apresentar muitas dificuldades para desenvolver a oralidade e se comunicar de modo oral/verbal, mimetizando em avaliação superficial, o comportamento autístico.

Pacientes com TEA, mesmo com audição normal, podem não responder ao chamado pelo seu nome, nem dar atenção aos sons ao seu redor, podendo ser confundidos, por isso, com deficientes auditivos.  

Por esse motivo, é fundamental realizar o diagnóstico audiológico, permitindo avaliar e quantificar a audição de forma consistente, ainda dentro do primeiro ano de vida, principalmente em crianças com atraso de fala e em investigação para diagnóstico diferencial do TEA.

Com a avaliação foniátrica, é possível formular diagnóstico diferencial dentre os vários distúrbios da comunicação, minimizando ou mesmo evitando consequências no desenvolvimento cognitivo e na aprendizagem. No caso do TEA e da deficiência auditiva, onde um diagnóstico não necessariamente exclui o outro, essa investigação é fundamental.

Dr. Gilberto Ferlin e otorrinolaringologista e foniatra no Hospital Paulista


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