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segunda-feira, 26 janeiro, 2026

Volta às aulas: Material escolar pode custar até 30% mais sem pesquisa de preços

Pesquisa de preços, reaproveitamento de itens e forma de pagamento fazem diferença no custo final da lista escolar

O primeiro trimestre do ano concentra algumas das despesas mais pesadas do orçamento familiar, e a compra de material escolar está entre os principais gatilhos de aperto financeiro. Dados divulgados pelo  Instituto Locomotiva e QuestionPro, indicam que 88% das famílias brasileiras sentem impacto direto no orçamento nesse período, e os gastos com material escolar já ultrapassaram R$ 49 bilhões no país, acumulando alta expressiva nos últimos anos. Além disso, levantamentos de Procons estaduais apontam variações de preço que podem chegar a mais de 250% entre lojas para um mesmo item, o que reforça a importância da pesquisa antes da compra.

Para Gabriel Eisner, consultor financeiro e sócio da Mhydas Planejamento Financeiro, o início do ano é um momento crítico justamente por reunir despesas obrigatórias e decisões de consumo muitas vezes emocionais. “Esse é um dos períodos em que o consumo tende a ser mais emocional do que racional. Por isso, o principal cuidado é separar o que é necessidade do que é desejo induzido. As listas escolares costumam ser extensas, mas muitas vezes incluem itens que podem ser reaproveitados ou substituídos por versões mais simples, sem prejuízo para o aprendizado”, afirma.

Outro ponto de atenção é o custo da conveniência. Segundo Eisner, comprar toda a lista em um único estabelecimento, sem comparar preços, pode tornar a compra até 30% mais cara. “As lojas não são fabricantes. Elas compram de fornecedores diferentes e repassam esses custos ao consumidor. Como resultado, um mesmo produto pode estar mais caro em uma loja e significativamente mais barato em outra”.

Por isso, a recomendação é comparar item a item, e não apenas o valor total da lista. “Com planejamento, é possível montar o material escolar aproveitando os melhores preços de cada loja. Essa prática gera uma economia relevante no valor final, especialmente em listas mais longas”.

O especialista também alerta para a necessidade de verificar se a escola não está solicitando materiais de uso coletivo. “Existem itens que, por lei, devem ser fornecidos pela própria instituição. Conferir isso evita gastos indevidos e protege o orçamento da família”.

Entre as principais recomendações para reduzir o impacto financeiro no começo do ano, Eisner destaca o reaproveitamento. “Mochilas, estojos, réguas, tesouras e até cadernos com folhas em branco podem ser reutilizados. Isso reduz o volume de compras imediatas”. A revisão da lista escolar também é essencial. “Vale confirmar com a escola o que é realmente obrigatório no início do ano. Muitos itens aparecem por padrão, mas só serão usados meses depois”.

A pesquisa de preços, segundo ele, é indispensável. “Em um cenário de inflação ainda pressionando o consumo, comparar papelarias físicas, atacarejos e e-commerces ajuda o consumidor a entender o mercado e fechar melhores negócios. Em alguns casos, essa diferença representa centenas de reais”.

Compras coletivas também ajudam a aliviar o bolso. “Quando os pais se organizam, conseguem negociar melhores condições, principalmente em compras de maior volume.” Eisner ainda recomenda evitar produtos com personagens licenciados. “Eles podem custar até o dobro, sem qualquer ganho funcional.”

Pensando no médio prazo, o planejamento antecipado é a estratégia mais eficiente. “O início do ano concentra alta demanda, o que pressiona os preços. Itens de uso recorrente, como cadernos, lápis e canetas, podem ser comprados ao longo do ano, em períodos de menor procura, quando os preços tendem a ser mais baixos”, destaca Eisner.

Pagar à vista ou parcelar?

De acordo com o consultor da Mhydas, o pagamento à vista só compensa quando o desconto é relevante. “No cenário atual, com a Selic em torno de 15% ao ano, pagar à vista só vale a pena quando o desconto supera 15%. Caso contrário, o parcelamento sem juros tende a ser financeiramente mais vantajoso”. Isso porque o dinheiro mantido investido pode render cerca de 1% ao mês líquido, superando descontos pequenos. “Um desconto de 5% à vista, por exemplo, não compensa frente ao rendimento do capital”.

Ainda assim, Eisner faz um alerta: “Parcelar sem planejamento pode comprometer a organização financeira, especialmente no primeiro trimestre, quando outras despesas como IPTU, IPVA e rematrícula também entram no orçamento”.

Planejamento é a chave para atravessar o início do ano

O começo do ano concentra uma série de despesas recorrentes e previsíveis. Para evitar o descontrole financeiro, Eisner recomenda mapear todos os gastos de janeiro e fevereiro. “Quando a família tem uma visão clara das despesas, evita decisões impulsivas e consegue priorizar o que realmente importa”.

No médio e longo prazo, a dica é antecipar esses custos. “IPTU, IPVA, escola e material escolar acontecem todos os anos. Criar um caixa específico ou reforçar a reserva de emergência ao longo do ano torna esse período muito mais tranquilo”.

Segundo ele, planejamento financeiro não é sobre cortar qualidade de vida, mas sobre previsibilidade. “Com organização, a família reduz o estresse, evita dívidas e atravessa o primeiro trimestre com mais segurança”, finaliza.


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