Verão: Pesquisa aponta como proteger a visão de crianças

Estudo comprova que crianças devem expor os olhos ao sol por 2 horas/dia. O tipo de lente de proteção depende da idade. Entenda

Você sabia que o contato sem limites com as telas e a falta de exposição ao sol são os dois fatores ambientais que mais contribuem com o aumento  da miopia, ou dificuldade de enxergar à distância entre crianças?  De acordo com o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, diretor executivo do Instituto Penido Burnier, não faltam evidências da importância das telas e da exposição ao sol para a saúde ocular da criança.

Uma dessas evidências chegou ao Brasil através de uma pesquisa apresentada em 2024  no Congresso Mundial de Controle da Miopia organizado pela ABRACMO (Academia Brasileira de Controle da Miopia e Ortoceratologia).

O levantamento  foi realizado em duas etapas com 1,2 milhão e 1,9 milhão crianças do ensino primário em parceria com o poder público de Taiwan. Na primeira etapa as crianças não foram estimuladas à exposição ao sol e a prevalência da baixa visão no período teve o expressivo aumento de 43%. Saltou de 34,8% para 50%.

Na segunda etapa os participantes foram expostos 2 horas/dia ao sol e a baixa visão, invés de aumentar, diminuiu de 49,4% para 46,1%. Queiroz Neto explica que a radiação UV emitida pelo sol aumenta a circulação no olho de dopamina, hormônio do bem estar. Os efeitos da maior disponibilidade de dopamina no globo ocular são o fortalecimento das fibras de colágeno da córnea e da esclera (parte branca) que diminui o crescimento do comprimento axial do olho.

Para se ter ideia da importância deste processo, normalmente o olho cresce até a idade de 3 a 4 anos. O olho míope continua crescendo após esta idade. Por isso, as imagens se formam na frente da retina e isso dificulta a visão à distância.

Os benefícios para a saúde não param por aí. “O contato com o sol também diminui a resistência à insulina que causa o diabetes tipo 2, fortalece a saúde óssea, o sistema respiratório e a imunidade através da síntese e absorção da vitamina D”, salienta.

O especialista ressalta que a exposição da criança ao sol sem lentes com filtro UV não deve ultrapassar duas horas. Isso porque, o sol tem efeito cumulativo nos olhos e o excesso de exposição pode causar catarata precoce, pterígio e degeneração macular.  As atividades em locais abertos sem óculos com filtro UV devem ser programadas para as primeiras horas da manhã ou depois das 16 horas.


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