Sobre a agenda climática: por que se importar?

Recentemente, assistimos o desembarque de algumas corporações dos pactos associados à agenda climática. Urge resgatarmos o porquê de esse tema demandar mais que uma atenção meramente passageira. Requer, com efeito, análise estratégica, que vai além dos interesses financeiros imediatos dos acionistas/donos; responsabilidade e, acima de tudo, coerência. Esses requisitos são ainda mais caros para o movimento cooperativo, que carrega na sua essência o compromisso com o desenvolvimento sustentável.

Os efeitos adversos das mudanças climáticas são inegáveis. O ano de 2024 não nos deixou dúvidas: foi o mais quente da história, com uma média global de 15,10°C — 1,6°C acima dos níveis pré-industriais.

Desprezar a agenda climática é negligenciar riscos e oportunidades econômicas significativos. As mudanças climáticas, com efeito, introduzem riscos físicos, como desastres naturais que afetam ativos e garantias, e de transição, resultantes de políticas ambientais mais rígidas que podem desvalorizar setores não sustentáveis. Por outro lado, há uma enorme oportunidade de transformar esses desafios em crescimento econômico inclusivo, mostrando que é possível prosperar de forma equilibrada.

O Brasil voltou a demonstrar protagonismo na arena climática, reafirmando o compromisso com o Acordo de Paris e estabelecendo uma meta ambiciosa: neutralidade de carbono até 2050. Iniciativas como a Taxonomia Sustentável Brasileira e o recém-criado Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa são ferramentas concretas para reposicionar o país na vanguarda das negociações climáticas globais.

Nesse cenário, as cooperativas financeiras emergem como atores únicos. Mais do que intermediárias financeiras, elas têm uma vocação intrínseca: promover, em equilíbrio, o desenvolvimento econômico, social e ambiental. A forte presença física e a conexão direta com as comunidades são vetores para financiar soluções locais e inovadoras, como geração de energia renovável, agricultura regenerativa e economia circular. Quando uma cooperativa investe, por exemplo, em linhas de crédito verdes, não só apoia negócios sustentáveis, mas também contribui para a inclusão dos pequenos produtores rurais e empreendedores urbanos, na transição energética.

A agenda climática, enfim, não pode ser refém de ciclos políticos e ideologias de momento. Como movimento cooperativo, temos o dever particular — e o privilégio — de sermos referência na agenda humanitária em sua plenitude. Ela exige gestão baseada em evidências científicas, ações consistentes e compromisso com resultados reais.

Ênio Meinen, diretor de Coordenação Sistêmica, Sustentabilidade e Relações Institucionais do Sicoob.


SUGESTÕES DE PAUTA: [email protected]

- Patrocinado -

Últimas

Agosto Lilás marca os 20 anos da Lei Maria da Penha com programação em toda a capital

Ao longo do mês, Prefeitura promove seminários, rodas de...

A próxima crise hídrica do Brasil será de gestão, não de falta de água

Por Lorena Zapata Durante décadas, o Brasil construiu sua política...

Roteiros de Memória convidam o público a conhecer diferentes histórias da cidade de São Paulo

Programação promovida pela Prefeitura acontece nos dias 15 e...

Agosto Lilás marca os 20 anos da Lei Maria da Penha com programação em toda a capital

Ao longo do mês, Prefeitura promove seminários, rodas de conversa e caminhadas para ampliar o acesso à informação Os 20 anos da Lei Maria da...

A próxima crise hídrica do Brasil será de gestão, não de falta de água

Por Lorena Zapata Durante décadas, o Brasil construiu sua política de segurança hídrica sob uma lógica relativamente simples. Sempre que a demanda crescia ou uma...

Roteiros de Memória convidam o público a conhecer diferentes histórias da cidade de São Paulo

Programação promovida pela Prefeitura acontece nos dias 15 e 16 de agosto A Prefeitura de São Paulo oferece, nos dias 15 e 16 de agosto,...

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui