Sedentarismo infantil avança no Brasil e reforça debate sobre o papel da escola e da família

Dados indicam que 3 em cada 4 adolescentes não atingem o nível recomendado de atividade física

O sedentarismo infantil tem se consolidado como um dos principais desafios de saúde pública no país. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos pratiquem, em média, ao menos 60 minutos diários de atividade física de intensidade moderada a vigorosa. Apesar da orientação, uma parcela significativa desse público permanece abaixo do nível considerado adequado.

No Brasil, 3 em cada 4 adolescentes não alcançam a recomendação mínima de atividade física, segundo levantamentos recentes. A taxa de inatividade é ainda mais elevada entre meninas (89%), enquanto entre os meninos o índice é de 78%, evidenciando uma diferença significativa de comportamento entre os gêneros.

A redução da atividade física, associada ao aumento do tempo de tela, tem reflexos diretos na saúde. A enfermeira da Escola Atuação, Luiza Reikdal, afirma que os efeitos vão além do ganho de peso. “A inatividade pode comprometer o desenvolvimento ósseo e muscular, reduzir o condicionamento cardiorrespiratório e favorecer alterações metabólicas, como resistência à insulina e aumento da pressão arterial. Também há impacto na saúde mental, com maior risco de ansiedade e distúrbios do sono”, explica.

Embora o ambiente escolar tenha papel relevante, a profissional ouvida destaca que o enfrentamento do sedentarismo depende de uma atuação conjunta. A ampliação de oportunidades de movimento no dia a dia, a redução do tempo de tela e o incentivo familiar são apontados como medidas essenciais para reverter o quadro e promover uma infância mais saudável e ativa.


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