Já expliquei muitas vezes que o aquecimento global acontece na média do ano, mas que tem como efeito colateral o aumento dos extremos, ou seja, frio mais frio e calor de fritar ovo no sol. E também extremos de muita chuva em poucos dias e mais dias de seca. Nenhuma agricultura tem futuro nessas condições, nem a sobrevivência do ser humano. Mas se o bilionário do petróleo falou que não existe, então… Não existe?
Em 2020 escrevi um artigo contando os estragos que já aconteciam. E, é claro, os desastres climáticos estão piorando, na média, só no Brasil causaram prejuízos de US$ 5,4 bilhões, cerca de R$ 28 bilhões, em 2025, conforme divulgado pela imprensa sobre o relatório da Aon, consultora de riscos e corretora de seguros do Reino Unido. O ano de 2024 continua pior, quando os eventos extremos provocaram prejuízo de US$ 12 bilhões (R$ 62 bilhões), especialmente pelas enchentes no Rio Grande do Sul, cujo plano de contingência falhou, e os estragos atingiram US$ 5 bilhões.
As estimativas consideram impactos à infraestrutura pública, às propriedades privadas e ao setor produtivo, e interrupções da atividade econômica. A metodologia combina dados de fontes governamentais, seguradoras, órgãos de defesa civil e modelagens de risco catastrófico. Segundo a Aon, o Brasil não está mais no patamar de baixo risco catastrófico, saltou para riscos de perdas bilionárias.
As secas foram as que mais causaram estragos, de US$ 4,8 bilhões (R$ 25,1 bilhões), 88% do total. A estiagem afetou principalmente as regiões Centro-Oeste e Sudeste, no agronegócio, geração de energia e abastecimento de água.
As tempestades causaram prejuízos de US$ 632 milhões (R$ 3,3 bilhões) e causaram perdas em residências, comércios e infraestruturas do Sudeste e do Sul. As hidrelétricas geraram menos eletricidade, sendo que o segundo menor valor da série histórica aconteceu em agosto de 2025, com 48%, ante a média de 66% do total.
O povo, os vereadores e os prefeitos precisam pressionar seus partidos a serem protagonistas de um mundo em transformação… para pior!

Mario Eugenio Saturno (fb. com/Mario.Eugenio.Saturno) é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano.
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