Pesquisadoras criam novo método para detectar agrotóxicos em abelhas

Para verificar se abelhas foram expostas ao uso de agrotóxicos, pesquisadoras do Instituto de Química da Universidade de São Paulo em São Carlos criaram uma nova técnica que exige poucas abelhas para o experimento, já que, anteriormente, muitas abelhas eram sacrificadas no processo de detecção de agrotóxicos em seus organismos


O uso de agrotóxicos afeta o comportamento e vida saudável dos animais, além das frutas e hortaliças consumidas pelos seres humanos que, afinal, não chegam a mesa da população com a proposta original de ser natural.

Um dos animais afetados pelo uso de agrotóxicos nas plantações, por exemplo, é a abelha. E isso afeta diretamente a produção de mel.

Para verificar se abelhas foram expostas ao uso de agrotóxicos, pesquisadoras do Instituto de Química da Universidade de São Paulo em São Carlos criaram uma nova técnica que exige poucas abelhas para o experimento, já que, anteriormente, muitas abelhas eram sacrificadas no processo de detecção de agrotóxicos em seus organismos.

“Pensando na principal função da abelha, que é realizar a polinização, se nós tirarmos uma quantidade menor desses insetos da natureza para fazer esse tipo de avaliação será uma grande vantagem. O avanço que conseguimos vai possibilitar a substituição das técnicas tradicionais por alternativas mais amigáveis ao meio ambiente, reduzindo a mortandade de abelhas para as análises”, explica Ana Maria Barbosa Medina, doutoranda do IQSC e autora do trabalho.

Neste trabalho, participaram duas espécies de abelhas: as africanizadas (Apis mellifera L.) e as nativas jataís (Tetragonisca angustula Latreille (1811)). A intenção era detectar dois agrotóxicos muito usados no Brasil e no mundo: imidacloprida e o tiametoxam.

Enquanto o método convencional, usava 150 abelhas Apis mellifera L., o novo método usou apenas três abelhas e já conseguiu detectar componentes agrotóxicos.

Nas abelhas Tetragonisca angustula Latreille, foi necessário 10 abelhas. O método padrão seria preciso cinco mil abelhas.

“Com a utilização de pequenas quantidades de insetos é possível alertar a comunidade científica que esses agrotóxicos estão contaminando as abelhas e que medidas precisam ser tomadas. Em nosso estudo, conseguimos identificar concentrações menores (na faixa de ngL-1) de agrotóxicos que o método tradicional. O apicultor quer saber se o local onde ele tem as colmeias está expondo as abelhas à contaminação e, caso ele descubra cedo que os insetos estão sendo afetados, pode se mudar para outro local e evitar prejuízos financeiros. A ideia é fazer esse tipo de monitoramento utilizando menos abelhas”, explica Eny Maria Vieira, professora do IQSC e orientadora do trabalho.


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