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sexta-feira, 16 janeiro, 2026

“Oi, NEM” – Enem e o Novo Ensino Médio

Se aproxima uma nova edição do Enem. Na multidão de candidatos, pessoas formadas nos moldes do antigo ensino médio e outras que vivenciaram, em meio a turbulências, total ou parcialmente, o Novo Ensino Médio – NEM.

A mudança tem como objetivos garantir a oferta de educação de qualidade a todos os jovens brasileiros e de aproximar as escolas à realidade dos estudantes de hoje, considerando as novas demandas e complexidades do mundo do trabalho e da vida em sociedade. As novidades afetaram também a oferta de componentes curriculares como Arte, Educação Física, Filosofia, Sociologia, e Espanhol, que passou a ser oferecido opcionalmente com preferência sobre outras línguas.

Um aspecto importante a ser enfatizado, em relação a essa parte, foi a liberdade trazida por esse novo desenho, a qual propiciou altos voos na criação de percursos. Nesse cenário, a proposta era de que houvesse um novo Enem, a ser implantado em 2024, o qual desse conta de conciliar tudo isso. Ocorre que a previsão não se concretizou, dadas a suspensão da implantação e as modificações do NEM. E agora? Como ficam os estudantes que se prepararam para um novo que não veio? Em relação ao exame especificamente, a maior preocupação dos professores certamente está no esvaziamento de conteúdos que a nova ordem provocará. É óbvio: menor número de aulas, menor volume de assuntos estudados. E, caso as provas deste ano tenham caráter fortemente conteudista, é provável que os candidatos que passaram pelo NEM tenham mais dificuldade.

Já se a prova trouxer um enfoque maior nas habilidades relacionadas às competências de cada área de conhecimento, pode ser que o impacto seja menor. Aliás, talvez os que passaram pelo NEM levem até alguma vantagem, dado que os itinerários formativos, em tese, seriam montados com a pegada “mão na massa”.

Os educadores que atuam no ensino médio lidam com a sensação permanente de “enxugar gelo” e seguem com o dilema frustrante de querer/buscar inovar, ao reconhecer que o velho modelo não serve — não como algo que deva ser descartado, mas, sim, atualizado —, e, ao mesmo tempo, de responder às exigências impostas por um sistema educacional e por processos seletivos que, invariavelmente — quiçá inevitavelmente —, limitam em grande medida o fazer pedagógico. É o que temos para hoje!

Ênio César de Moraes é coordenador do Ensino Médio no Colégio Presbiteriano Mackenzie de Brasília.


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