Nunca parei de sonhar

Quando olho para trás, percebo que minha vida foi construída pelos recomeços.

Entrei na faculdade de Medicina depois de anos difíceis. Fiz cursinho junto com o terceiro ano do ensino médio graças a uma bolsa de estudos. Meus pais tinham acabado de se separar e o dinheiro era curto. Não existia plano B. Existia apenas um sonho enorme dentro de mim.

Depois de mais dois anos de cursinho, entrei na tão sonhada Faculdade de Medicina de Jundiaí. Vivi aquela oportunidade intensamente: tive bolsa de PIBIC, fiz monitoria, fui vice-presidente da atlética e participei da organização da primeira Calomed da faculdade.

No sexto ano, uma apendicite complicada quase mudou meus planos. Achei que não conseguiria me formar com minha turma. Mas consegui. E logo depois veio a aprovação na residência de Pediatria da Santa Casa. Mais tarde, fiz Neonatologia.

Casei, me tornei mãe e meu propósito mudou completamente. Depois dos meus filhos, percebi que não queria apenas tratar doenças. Queria acolher famílias, levar informação de qualidade, segurança e escuta — não só como médica, mas também como mãe.

Morei em Florianópolis por quase três anos, mas a pandemia tornou difícil viver longe da família. Voltei para São Paulo e precisei recomeçar. Voltei para as escalas de plantão, reorganizei a vida e reconstruí caminhos.

Mas nunca deixei de acreditar em algo maior. Nunca abandonei o cuidado com a mente, com a saúde e com os meus sonhos.

Com o tempo, comecei a sonhar mais alto: meu próprio consultório, novas habilidades, aprender a pensar também como empresária.

Hoje vejo que aquele sonho da menina do cursinho se tornou realidade. Minha família, uma casa de vila, um cachorro, duas calopsitas, trabalhar em UTI neonatal — minha paixão — e construir um consultório com propósito, afeto e ciência.

Talvez o segredo nunca tenha sido ter uma vida perfeita.

Talvez tenha sido nunca parar de sonhar.

Dra. Eliana Maekawa

Pediatra e Neonatologista

Mãe do Matheus e da Ana Luiza


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