Mulheres lideraram 67% dos estudos publicados pelo Instituto Butantan nos últimos sete anos

Segundo levantamento da Elsevier-Bori, em 2022, 49% da produção científica do Brasil contava com pelo menos uma autora

Dos 1.122 artigos científicos publicados nos últimos sete anos exclusivamente por cientistas do Butantan, 754 têm protagonismo feminino: pesquisadoras, colaboradoras, técnicas ou estudantes vinculadas diretamente à instituição, ou que desenvolvem suas pesquisas em programas de pós-graduação ou iniciação científica nos laboratórios do Instituto. Elas assinaram 67% dos trabalhos feitos totalmente dentro do Butantan e divulgados em revistas indexadas (associadas a uma base de dados) entre 2018 e 2024.

O levantamento foi realizado pela equipe da Biblioteca Científica do Butantan, com base nos indicadores do Repositório Sapientia, considerando os trabalhos publicados por mulheres vinculadas ao Instituto que atuaram como 1ª autora (realiza os experimentos da pesquisa), autora de correspondência (submete o artigo à revista, responde editores e monitora o trabalho até a sua publicação) ou última autora (coordena a pesquisa que gerou o artigo científico).

Os anos de 2018, 2020 e 2022 são destaque à parte: as mulheres lideraram mais de 70% das publicações. Os dados revelam que as cientistas do Butantan tiveram uma média anual de 108 publicações por ano em autorias principais, o que corresponde a uma média mensal de 9 publicações nos sete anos analisados. Além disso, o Butantan é alavanca para a nova geração de pesquisadoras: dentre os artigos publicados entre 2018 e 2024, oito foram desenvolvidos por alunas de iniciação científica.

Esse protagonismo feminino supera os índices nacionais. O relatório “Em direção à equidade de gênero na pesquisa no Brasil”, lançado pela Elsevier-Bori em março de 2024, mostra que, em 2022, 49% da produção científica do país contava com pelo menos uma autora (não necessariamente em posição de liderança).

A maior parte das pesquisas publicadas por mulheres no Instituto Butantan é realizada por pessoas vinculadas ao Centro de Desenvolvimento Científico (CDC) e pelo Centro de Desenvolvimento e Inovação (CDI), respectivamente. Ambos possuem liderança feminina.

A pesquisadora científica Sandra Coccuzzo é a diretora do CDC. Entre diversas outras ações, durante a pandemia de Covid-19 Sandra coordenou a Rede de Laboratórios para o Diagnóstico do SARS-CoV-2 e o Lab Móvel, um laboratório itinerante que realizava exames para diagnóstico e sequenciamento genômico do vírus em diversas cidades do interior de São Paulo.


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