Melhorias na previsão do tempo

As mudanças climáticas estão aumentando drasticamente os eventos extremos que provocam perdas econômicas e de vidas, o que torna a previsão do tempo fundamental. Para fazer as previsões, o INPE dispõe de supercomputadores e cientistas e que fazem também, por exemplo, os relatórios sobre a estiagem no Brasil, os alertas da crise hídrica, documentos que são entregues semanalmente ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que sem esses dados deixaria o governo às cegas para gerir a crise.

Desde 2017, o supercomputador Tupã, do INPE, corria o risco de parar de funcionar e não poderia ser reparado. Outro grave problema desse supercomputador antigo era o gasto em energia elétrica, consumindo R$ 5 milhões ao ano para funcionamento e resfriamento. E, por falta de recursos, o INPE desligará a metade dos gabinetes prejudicando a previsão que era feita.

Para o ano de 2021, o INPE esperava receber R$ 50 milhões, mas nada veio. Então, como tínhamos um governo sem visão estratégica, em junho daquele ano, o INPE comprou um primeiro módulo do novo supercomputador, que custou US$ 729 mil, utilizando verba do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), da ONU.

Finalmente, em 2024, o INPE fez a concorrência internacional para a aquisição do novo sistema de supercomputação que foi vencido pela empresa HPE-Cray Supercomputing, dos Estados Unidos. O novo supercomputador chegou ao aeroporto de São José dos Campos (SP) em 20 de maio e foi transportado para o prédio do CPTEC do INPE em Cachoeira Paulista (SP).

Em comparação ao Tupã, o novo supercomputador tem capacidade 24 vezes maior de armazenamento de dados e de alta performance, possuindo 120 nós e aproximadamente 30 mil “cores” (núcleos), sendo o mais avançado equipamento de previsão numérica de tempo e de clima do país.

Essa melhoria tecnológica permitirá aprimorar os modelos numéricos de previsão do tempo, de clima e ambientais, além de permitir simulações mais detalhadas e precisas, fundamentais para as previsões de eventos extremos, como secas e tempestades, e estudos sobre mudanças climáticas.

Os produtos gerados pelo supercomputador são úteis, por exemplo, para o agronegócio, para o setor da saúde, à medida que podem ser usados no planejamento e controle de epidemias, e para o monitoramento de eventos severos, que requer modelos em alta resolução espacial para subsidiar o envio de alertas de curtíssimo prazo e à coordenação de ações de emergência para a Defesa Civil.

Mario Eugenio Saturno (fb. com/Mario.Eugenio.Saturno) é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano.


SUGESTÕES DE PAUTA: [email protected]

- Patrocinado -

Últimas

Plataforma SampaAdapta monitora o calor urbano e promove políticas públicas para adaptação climática – jornal da usp

Prefeitura de São Paulo conta com suporte científico de pesquisadores da USP para desenvolver projeto de monitoramento de dados climáticos Diante do aumento das temperaturas...

Digitalização das escolas brasileiras avançou de forma desigual, aponta levantamento

Estudo indica aceleração após a pandemia, diferenças estruturais entre redes pública e privada e consolidação parcial do ensino híbrido Um levantamento feito pela Adobe Acrobat...

Exposição “Cabodá”, na Capela do Morumbi, um dos edifícios mais antigos de São Paulo, é prorrogada até outubro

Obra é construída a partir dos furos originais da taipa de pilão e traz reflexão sobre equilíbrio, corpo e espaço A exposição Cabodá, da artista...

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui