Eu já tinha dado muitos banhos em recém-nascidos antes de ser mãe. Sabia a temperatura ideal da água, a posição correta das mãos, o cuidado com as dobrinhas. Mas, quando o Matheus nasceu, descobri que conhecimento técnico não impede o coração de acelerar.
Em casa, criei um pequeno ritual. Fechava o banheiro, separava a toalha, testava a água — entre 36 e 37 graus — e colocava para tocar Coldplay for Babies. A música suave preenchia o ambiente e, de alguma forma, me acalmava também.
O banho era breve, cinco a dez minutos. No primeiro mês, dia sim, dia não costuma ser suficiente. O rosto apenas com água. Sabonete neutro próprio para bebê no corpo e couro cabeludo. Atenção especial às dobrinhas do pescoço, axilas e virilha. Tudo simples, seguro e sem pressa.
Mas ali, com meu filho nos braços, era mais do que técnica. Eu falava com ele, cantava baixinho, sentia sua respiração desacelerar. O banho deixava de ser tarefa e se tornava vínculo.
Com a Ana Luiza, mantive o ritual. A música começava e parecia que ela reconhecia aquele momento. Era nossa pausa do dia.
Hoje, quando oriento uma família insegura, digo que o banho não precisa ser perfeito. Precisa ser seguro, em ambiente aquecido, com água morna e presença verdadeira.
Porque, no começo da vida, o que realmente aquece não é a água.
É o colo.

Dra. Eliana Maekawa
Pediatra e Neonatologista
Mãe do Matheus e da Ana Luiza
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