Hospital municipal usa até videogame para diminuir traumas em crianças e bebês na capital

Músicas, desenhos na parede e até videogame podem ser instrumentos poderosos para a recuperação de pacientes pediátricos internados no Hospital Municipal Dr. Gilson de Cássia Marques de Carvalho – Vila Santa Catarina, em São Paulo.

De acordo com Bianca Zólio, fisioterapeuta sênior responsável pelo setor materno-infantil do hospital Vila Santa Catarina, esse olhar humanizado no atendimento vem desde 2015, foi padronizado em 2019 e visa complementar as terapias convencionais. “A UTI é um ambiente muito frio, onde principalmente as crianças têm medo de estar e os pais também ficam receosos. Por isso, pensamos nesses processos para minimizar esses sentimentos e dores, acolhendo desde a chegada ao hospital, até o ambiente físico, com papeis de parede divertidos, estimulando que façam desenhos da família para colocarem no leito e levarem os brinquedos de preferência. Conseguimos televisão e videogame, com os quais o trabalho é feito de maneira interativa, complementando a terapia motora, mexendo os braços e jogando bola, por exemplo. Com muito tempo de internação, a criança perde a força muscular e a coordenação motora. Nosso objetivo é dar alta com todas as funções preservadas. Cada cuidado é individualizado e fazemos a terapia de acordo com o que a criança gosta. Quando uma delas não consegue ficar em pé, por exemplo, descobrimos se ela gosta de desenhar e colocamos alguns desenhos na parede para pintar. É diversão e terapia ao mesmo tempo”, explica Bianca.

Para superar os estímulos dolorosos recebidos com agulhas e procedimentos invasivos, a iniciativa visa proporcionar também estímulos prazerosos. “No momento da música, não fazemos mais nada, pois a criança e até o bebê pode associar a dor ao momento e aumentar o trauma. A criança tem uma memória afetiva bem importante de dor, por isso temos que ficar atentos aos pequenos detalhes e dar a maior qualidade de vida possível para elas. […]”, complementa a fisioterapeuta.


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