Guia Alimentar incentiva a culinária doméstica e sugere moderação no consumo de doces

Carla Martins responde a novos questionamentos da população na série especial em comemoração aos dez anos do documento

O Guia Alimentar para a População Brasileira completa dez anos. Em comemoração a pesquisadora Estela Sanseverino, da Cátedra Josué de Castro de Sistemas Alimentares Saudáveis e Sustentáveis da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, convida Carla Martins, professora adjunta do Instituto de Alimentação e Nutrição da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e membro da equipe técnica responsável pelo desenvolvimento do guia, para responder a novos questionamentos da população sobre as informações contidas no documento na série especial.

De acordo com Carla, o Guia Alimentar para a População Brasileira enfatiza a necessidade de discutir hábitos alimentares saudáveis com as crianças desde cedo. Conforme o documento, o consumo de doces caseiros feitos com alimentos in natura ou minimamente processados — como frutas, milho, arroz, mandioca, leite e ovos — é comum na alimentação tradicional do País. No entanto, ela ressalta que o guia alerta para a necessidade de cuidado com a quantidade de açúcar, já que o excesso pode comprometer a qualidade nutricional das preparações e, por consequência, a saúde dos indivíduos.

“O guia também alerta para a quantidade ingerida dos doces caseiros, apontando as frutas in natura como as melhores opções para o dia a dia. Quanto aos doces processados, o documento recomenda que seu consumo deve ser limitado e, quanto aos doces ultraprocessados, a recomendação do guia é evitar”, esclarece.

O Guia Alimentar para a População Brasileira também destaca a importância de incluir alimentos in natura ou minimamente processados, preferencialmente de origem vegetal, como a base da alimentação, e para isso eles requerem preparo ou pré-preparo antes do consumo. Nesse contexto, a professora Carla explica que a culinária e o tempo necessário para o planejamento e preparo das refeições são apresentados como desafios que precisam ser superados para seguir as recomendações de uma alimentação saudável.

Outro ponto importante que o guia propõe baseia-se em uma abordagem culinária desde o início da preparação, ao invés de simplesmente combinar ou aquecer produtos prontos, como os ultraprocessados. Para Carla, essa filosofia de preparo é fundamental para garantir uma alimentação que respeite as recomendações de saúde e bem-estar preconizadas no documento e para incentivar o envolvimento ativo na cozinha, a fim de levar a população a fazer escolhas alimentares mais saudáveis.

Por Julio Silva para o Jornal da USP


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