Florestas da Arábia

Há décadas o cidadão do Brasil testemunha a destruição da nossa maior riqueza, nossos biomas, com queimadas, como se isso fosse algo inevitável e rentável. Sabemos que em 2023, o Brasil teve uma área plantada de 77 milhões de hectares, mas tem uma área degradada e abandonada de 140 milhões de hectares que podem ser recuperados. Ou seja, não precisamos desmatar mais nem um hectare de mata.

Não custa lembrar que os biomas têm, além da flora e fauna pouco conhecidas e exploradas, uma microfauna e microflora totalmente desconhecidas e que podem conter desde a cura de câncer até micro-organismos que fermentam novos combustíveis.

Ao contrário do Brasil, a Arábia Saudita está criando biomas. É o Programa Green Riyadh que tem o objetivo de criar espaços verdes sustentáveis na capital Riad. Visam também cumprir o Programa Qualidade de Vida e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, que quer criar cidades mais sustentáveis e que combatam o aquecimento global.

A construção já começou há pouco mais de dois anos e utiliza as mais recentes tecnologias e práticas para acelerar o trabalho. Estão instalando 1.350 quilômetros de tubulações de água para transportar 1,7 milhão de metros cúbicos de água reciclada produzida diariamente, mas sem uso e que serão utilizadas para irrigar 7,5 milhões de árvores que estão sendo plantadas na cidade, isso fará que a cobertura verde atinja 9,1% da cidade, elevando o espaço verde per capita de 1,7 metro quadrado para 28 metros quadrados.

Riad enfrenta os desafios de muitas metrópoles do mundo: melhorar a qualidade de vida, o meio ambiente, o desenvolvimento esportivo e de lazer, a saúde e o bem-estar, a segurança, a participação e a criação de valor econômico. A iniciativa verde reduzirá especialmente as emissões de CO2 e as temperaturas na cidade.

Além disso, o projeto tem sua vertente educativa, incentivará os cidadãos a adotarem um estilo de vida saudável. O Green Riyadh quer transformar Riad em uma das cidades mais agradáveis para se viver no mundo. Com a criação de espaços verdes e a promoção de um estilo de vida saudável, a cidade está se tornando mais sustentável e amigável ao meio ambiente.

O Brasil precisa de um programa de proteção e recuperação dos biomas com urgência, visando plantar um trilhão de árvores nas cidades e biomas devastados, 2030 está aí e o agora é a hora.

Mario Eugenio Saturno é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano.


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