Com 73% de rejeição ao uso de IA em campanhas, alfabetização midiática ganha importância nas eleições
Com a aproximação das eleições de 2026, novas regras da Justiça Eleitoral estabelecem parâmetros para o uso de inteligência artificial na comunicação política. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou critérios para a identificação de conteúdos produzidos ou modificados por IA e restringiu materiais que possam favorecer ou prejudicar candidaturas, em uma tentativa de reduzir o impacto de manipulações digitais sobre a decisão dos eleitores.
A preocupação aparece na percepção dos próprios eleitores. Pesquisa Genial/Quaest divulgada em agosto mostrou que 73% dos brasileiros rejeitam o uso de IA em campanhas eleitorais.
Embora a tecnologia esteja cada vez mais presente na comunicação política, os dados indicam que ainda existe forte resistência à sua utilização. “As pessoas aprenderam a desconfiar de notícias falsas, mas hoje imagens, vídeos e áudios podem ser produzidos artificialmente com alto grau de realismo. A questão não é apenas verificar se um conteúdo é verdadeiro ou falso, mas desenvolver a capacidade de analisar criticamente sua origem e sua intenção”, afirma Luís Mauro Sá Martino, doutor em Ciências Sociais e professor da FAPCOM.
Segundo o especialista, esse cenário reforça a importância da alfabetização midiática, entendida como a capacidade de interpretar e contextualizar informações em diferentes meios de comunicação.
A alfabetização midiática envolve compreender a origem das informações e verificar as fontes antes de aceitar ou compartilhar um conteúdo. Esse cuidado pode contribuir para que o eleitor tome decisões mais conscientes.
“Não é preciso que o cidadão conheça todas as tecnologias utilizadas para produzir um conteúdo. O mais importante é verificar a fonte e lembrar que nem todo conteúdo corresponde a um acontecimento real”, conclui.
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