Estudo indica aceleração após a pandemia, diferenças estruturais entre redes pública e privada e consolidação parcial do ensino híbrido
Um levantamento feito pela Adobe Acrobat revelou que a digitalização das escolas brasileiras avançou de forma gradual ao longo das últimas duas décadas, marcada por desigualdades estruturais entre as redes pública e privada e por uma aceleração significativa a partir de 2020, impulsionada pela pandemia de Covid-19. Entre 2000 e 2024, o processo evoluiu da informatização básica e do acesso inicial à internet para a adoção de plataformas digitais, modelos híbridos de ensino e as primeiras aplicações de inteligência artificial no ambiente educacional.
De acordo com a análise, nos primeiros anos dos anos 2000 a digitalização esteve concentrada na implantação de laboratórios de informática e em ações pontuais de inclusão digital, especialmente nas escolas públicas. Nesse período, o uso das tecnologias era predominante instrumental e administrativo, com baixa integração às práticas pedagógicas. Nas escolas privadas, a informatização ocorreu de forma antecipada, com maior autonomia institucional e uso complementar ao ensino presencial.
O principal ponto de inflexão ocorre entre 2020 e 2021, quando o ensino remoto emergencial acelerou de forma inédita a digitalização do sistema educacional brasileiro. O levantamento destaca que esse período evidenciou de forma clara o gap digital no país, com impacto mais severo sobre a rede pública. Enquanto escolas privadas conseguiram migrar rapidamente para o ensino remoto, a rede pública enfrentou desafios relacionados à conectividade, acesso a dispositivos e infraestrutura.
O estudo foi desenvolvido com base em dados públicos e oficiais do http://Cetic.br , INEP, Ministério da Educação e secretarias estaduais de educação, adotando abordagem descritiva e exploratória.

