Descarte irregular de lixo potencializa destruição causada por fortes chuvas

A chuva arrasta o lixo descartado em locais inapropriados, entupindo bueiros e acumulando em rios e bacias

As fortes chuvas que estão caindo em algumas cidades brasileiras durante este verão têm provocado grandes estragos. Nas últimas semanas, por conta de alguns temporais, ruas de diversos bairros de São Paulo se transformaram em ferozes rios de lama, causando um verdadeiro cenário de destruição, além do registro de vítimas fatais. Essas tempestades são resultado dos efeitos climáticos e estão acontecendo com uma frequência cada vez maior.

Um dos problemas para o agravamento dessas ocorrências é o descarte irregular de resíduos sólidos. A força da água arrasta o lixo descartado em locais inapropriados, entupindo bueiros ou sendo despejado em rios e bacias. Só na Bacia do Alto Tietê, que abrange 42 municípios paulistas, 58 toneladas de lixo são despejadas diariamente, de acordo com um estudo recém-divulgado pela Fundação Agência da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê (Fabhat).

“Além de prejudicar o escoamento da água por entupir os bueiros da cidade, os resíduos sólidos, que acabam sendo arrastados pela própria chuva para os rios e bacias, ainda causam sérios problemas ao meio ambiente, contaminando nossos recursos hídricos”, diz Ricardo Lazzari Mendes, presidente da Apecs (Associação Paulista de Empresas de Consultoria e Serviços em Saneamento e Meio Ambiente).

Para o presidente da entidade, o problema do descarte irregular de resíduos sólidos é tanto de responsabilidade das administrações públicas como também da própria população. “De um lado, é preciso investir em políticas e modelos de coleta mais eficientes e adequados para cada região. Do outro lado, o cidadão precisa se conscientizar dos prejuízos e dos riscos que o descarte irregular pode gerar para a vida de todos nós.”

Somente no Rio Pinheiros, quem tem 25 km de extensão e é um dos afluentes da Bacia do Alto Tietê, desde janeiro de 2023 já foram retiradas 77 mil toneladas de resíduos sólidos, segundo dados da Semil (Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística), pasta do governo do Estado de São Paulo. Plásticos, orgânicos, material de construção e têxteis geralmente são os resíduos sólidos mais comuns recolhidos nos rios e bacias.


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